Os melhores momentos de 2017
· 30 Dez 2017 · 19:03 ·
© Sofia Miranda

Isto é que foi uma montanha russa, este 2017, não foi? No meio de toda a loucura, e foi muita, demasiada, quase intolerável, conseguimos olhar para os doze meses deste ano que agora termina e desencantar dez momentos mais ou menos musicais, mais ou menos pessoais, mais ou menos essenciais. Sem querer extrapolar a sua importância, claro está, mas fazendo um exercício de individualidade, tentando fazer algum sentido num ano que de sentido teve muito pouco e esperando que se consigam rever em alguns destes retratos que decidimos fazer deste 2017 que agora se despede. André Gomes


André Gomes


  1. Não foi um mas sim vários: programar concertos de artistas como Mark Eitzel, Bitori, Sun Kil Moon, Bonga (o mestre Bonga, duas vezes), Omar Souleyman, Lambchop, Pascal Pinon, Matt Elliott, Aline Frazão, Jozef Van Wissem, Dorian Wood, JFDR, Gareth Dickson, César Lacerda, Nadine Khouri (duas vezes), entre muitos outros.
  2. Comprar discos em Singapura, correr de loja em loja e encontrar gente verdadeiramente fascinante, como R. Alagirisamy, dono da For The Record.
  3. Um momento que é um momento: a incrível boa forma da música brasileira, que produz uma quantidade inacreditável de novos discos e novos artistas semana após semana.
  4. O Sinsal Son Estrella Galicia, que continua a ser o melhor sítio onde descobrir, ouvir e apreciar música em formato festival. Sem artifícios e muitas selfies. Um paraíso.
  5. Comprar um Thorens TD150 MKII, restaurá-lo e dar-lhe uma nova casa.
  6. Hey Mr Ferryman, o soberbo novo disco de Mark Eitzel, e entender que o norte-americano encontrou finalmente a sua paz.
  7. Vinte e um episódios da Videoteca Bodyspace com gente como Tim Bernardes, Bonga, Alceu Valença, JFDR, Nadine Khouri ou Howe Gelb.
  8. Foi um ano de vozes femininas. No meu Top 30 estão Melanie De Biasio, JFDR, Joan Shelley, Nadia Reid, Nadine Khouri, Julien Baker, Ora Cogan, Molly Burch, Hand Habits, The Weather Station e Julie Byrne.
  9. Um disco, raríssimo, descoberto num caixote poeirento numa loja de antiguidades na Indonésia: Eling-Eling, de S. Dharmanto. Uma preciosidade.
  10. Uma mão cheia de concertos: Pascal Pinon em Coimbra, Alceu Valença na Casa da Música, Elza Soares e Run The Jewels no Nos Primavera Sound, Janka Nabay & The Bubu Gang no Sinsal Son Estrella Galicia

Fernando Gonçalves


  1. O bilhete para o Primavera Sound Porto cedido por esse grande ser humano chamado Débora Umbelino (Surma).
  2. Concerto dos Badbadnotgood em Paredes de Coura. Um dos melhores concertos da década.
  3. Concerto de Benjamin Clementine em Paredes de Coura
  4. Concerto de King Krule em Paredes de Coura
  5. A assombrosa “Vento” tocada por LaBaq em pleno Maus Hábitos acompanhada pelo Rui e pelo Pedro dos First Breath After Coma
  6. O magnífico vídeo de “Nagmani ft André Barros” dos First Breath After Coma pela mão da Casota Collective
  7. A “democracia musical vimaranense” levada a cabo pelas mais diversas instituições e programadores de Guimarães. Excelentes concertos e excelente ambiente.
  8. Acompanhar, por dentro, a estreia de Nuno e Hugo e do seu projeto The Black Zebra no Hard Club.
  9. O surgimento da Alarido e o ressurgimento de uma programação cultural contemporânea em Vila das Aves
  10. E uma palavra para a Andreia, fotógrafa que me acompanhou em muitos concertos, a quem este ano trouxe uma nova vida, a de mãe.

João Morais


  1. Descobrir Ross From Friends, DJ Boring, DJ Seinfeld e todo um rol de nomes fortes do house de baixa fidelidade que trouxe um novo vigor à minha paixão pelo puntz puntz;
  2. Voltar a abraçar o Paulo e a Rita, depois de dois anos de merda;
  3. Conseguir voltar a escrever, depois dum bloqueio criativo digno de Joseph Mitchell;
  4. Começar a mexer no Virtual DJ para gravar sets manhosos de puntz puntz, fazendo de gigei de serviço nas colunas Bluetooth e nos sistemas de som dos automóveis dos amigos;
  5. Aprender que até mesmo nos momentos mais tumultuosos da nossa vida, é possível conhecer pessoas incríveis capazes de nos dar a mão quando mais precisamos;
  6. 10 anos da Filho Único, ou “o meu regresso à normalidade não podia deixar de ser com uma série de concertos onde o B Fachada estivesse metido ao barulho”;
  7. A mão cheia de bons nomes que vi passar pelo Brunch Electronik, a começar em Dubfire e a acabar em Dave Clarke. Para o ano há mais;
  8. Ir a um concerto de Kumpania Algazarra nas Azenhas do Mar, redescobrir as maravilhas de um bom mosh depois de três anos assombrados por uma rótula que já mostrou gosto por saltar do sítio e, no meio da euforia, esbardalhar-me repetidamente no chão e esfolar os joelhos todos com um sorriso nos lábios;
  9. A maravilhosa banda sonora de Hans Zimmer para Dunkirk, que só serviu para tornar ainda mais intenso e tremendo aquele que depressa se assumiu como um dos melhores filmes de Christopher Nolan (e da minha vida);
  10. Descobrir que o mundo da música ainda tem capacidade para me deixar completamente estupefacto, neste caso com o inexplicável sucesso desse meme andante tornado sucesso de vendas que é Cardi B.

Nuno Catarino


  1. Concerto do ano: a inesquecível actuação do quinteto Life and Other Transient Storms no Jazz em Agosto, projecto liderado pela trompetista Susana Santos Silva.
  2. A estrondosa estreia de João Barradas em dose dupla: com o disco "Directions" e com o grupo Home.
  3. A confirmação da excelente dupla João Hasselberg & Pedro Branco, com o disco "From Order to Chaos" e um concerto memorável na SMUP.
  4. O regresso ao Angrajazz, com concertos magníficos (Jon Irabagon, Ensemble Super Moderne, Matt Wilson) e mergulhos no mar dos Açores.
  5. A edição em vinil de "Slow" de Minta & The Brook Trout (que a cada audição se aproxima da perfeição) e o concerto de apresentação na ZDB.
  6. Mais uma boa edição do festival JIGG, óptima improvisação nos fins de tarde de verão, especialmente o concerto do Liquid Trio de Agusti Fernandez, Albert Cirera e Ramon Prats.
  7. Ouvir as canções imaculadas de Marisa Monte pela voz de Silva no Rio de Janeiro.
  8. A actuação épica (já foram tantas) de Evan Parker em Braga, no GNRation.
  9. O grande regresso de João Paulo Esteves da Silva: o excelente "Brightbird" e a estreia do duo Silent Word (com Afonso Pais), além de múltiplas colaborações.
  10. As sessões de culto no Nimas e a oportunidade de ver o belíssimo "One from the Heart" no grande ecrã, recordando a banda-sonora perfeita de Tom Waits.

Nuno Leal


  1. Digging as dicas e para além delas da UNEARTHING THE MUSIC, projeto fabuloso da OUT.RA sobre música experimental na Europa de Leste.
  2. Ao vivo no Maria Matos: um dia Joshua Abrams and Natural Information Society, noutro GAS.
  3. Ao vivo nos jardins do MNAC: Gigi Masin.
  4. Ao vivo no Jazz em Agosto na Gulbenkian: Steve Lehman e Sélébéyone.
  5. Ao vivo no Auditório Augusto Cabrita, OUT.FEST, Barreiro. Pere Ubu. Inga Copeland.
  6. Ao vivo no Lux. Aisha Devi.
  7. A poesia essencial do anglo-castelhano Roger Wolfe.
  8. A não-poesia dos mails do lampautor Pedro Guerra e convidados.
  9. Tudo o que a Music From Memory tem reeditado. 100 % de eficácia.
  10. O Ruca e a Patrulha Pata (vida de pai).

Paulo Cecílio


  1. Num ano mais apático que outra coisa, o que fica são mesmo os concertos - e os textos, as amizades, as poucas bebedeiras (ah, a velhice...) e o conforto de saber que cada passo em frente é dado rumo à morte.
  2. Os Mayhem em Barroselas, toda uma adolescência à frente dos olhos.
  3. O Sr. Fernando, o melhor taxista do eixo Cunha - Paredes de Coura.
  4. As idas aos Açores e a Manchester. Finalmente o mundo parece ser mais que um subúrbio à beira-rio plantado.
  5. Os Melt-Banana na Zé dos Bois. Ainda hoje ninguém deve saber que furacão passou por ali.
  6. Os Lightning Bolt e a pancadaria em Coura. Isto depois da conversa mais awkward de sempre com Deus Adolfo.
  7. O regresso ao mundo dos vivos do atrasado mental do Morais, que ainda não transcreveu as três entrevistas que fez no Reverence 2015.
  8. As idas ao Dragão, a ganhar ou a perder.
  9. Vilar de Mouros, cada vez mais um destino obrigatório - porque o Minho é lindo, caralho.
  10. Os desejos para 2018: arranjem-me um emprego, paguem-me finos e mandem nudes. Não necessariamente por esta ordem. Podem começar pelo último.

Rafael Santos


  1. David Lynch. O génio louco na primeira pessoa.
  2. Angelo Badalamenti. O dom e o tom.
  3. Chrysta Bell & David Lynch "Beat The Beat"
  4. Fire Walk With Me fez finalmente algum sentido. Um dos melhores de Lynch.
  5. Lost Highway. Jamais fará sentido. Que se foda; é bom à mesma!
  6. Chromatics e "Shadow" no fim da Parte I/II; e foi o fim de vinte e cinco anos de ausência da série.
  7. The Secret History of Twin Peaks de Mark Frost, a fina linha entre a ficção e a realidade.
  8. Julee Cruise. A saudade de dias passados.
  9. Au Revoir Simone. "Lark" no fim da Parte IV.
  10. Muddy Magnolias "American Woman (David Lynch Remix)"


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