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� (Cross) � para muitos o mais pertinente registo a sair dos campos El�sios desde Homework. Antes mais recupera o esp�rito aventureiro e rebelde do disco de estreia dos Daft Punk. Depois devolve nesta d�cada o charme do french-touch sem que realmente se preocupe com essa designa��o. � � festivo na mesma propor��o que � inventivo na tentativa de constru��o de uma linguagem de autor. � electro, � funk, � house, � disco mas tamb�m uma simb�lica ambi��o de ser um registo rock onde os sintetizadores substituem competentemente as guitarras. Ser� em �ltima inst�ncia uma das poucas consequ�ncias positivas do malogrado electro-clash. Ou talvez n�o. Seja como for os Justice s�o os meninos bonitos da actual m�sica francesa que uma vez mais se v� representada no mundo por dois jovens e ambiciosos produtores. Rafael Santos
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29: |
Burning Star Core Operator Dead, Post Abandoned |
No Quarter |
Como se já não bastasse o iluminado Blood Lightning 2007 editado logo no início do ano, o projecto liderado por C. Spencer Yeh teve a audácia de fazer ainda melhor em 2007. Em Operator Dead...Post Abandoned, o drone já perfeccionado pelo seu mentor ao longo de uma respeitável carreira assume uma dimensão quase telúrica, e paradoxalmente mais próxima do Terra. Transportando para o seu código genético o músculo do rock e a expressividade do free jazz, liquidificados em magma incandescente e nunca estável (auto-destrutivo) . 2007 não é só o ano do porco, mais do que tudo é o ano de C. Spencer Yeh, e se tal entusiasmo pode parecer desmedido, a verdade é que desde Halve Maen dos Double Leopards nenhum disco de drone/noise/psych/whatever se revelou tão "completo" e, em última análise essencial. Bruno Silva
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28: |
Lobster Sexually Transmitted Electricity |
Bor Land |
Um dos nomes mais respeitados de uma certa "m�sica perif�rica portuguesa", sempre subsistiu no duo lisboeta um certo apego a formas mais tipificadas de rock, que, n�o sendo convencionais, sempre se pautaram por uma distens�o muscular em headbanging compulsivo. Ou seja, relembramos as suas m�sicas ("Farewell Chewbaca" � um cl�ssico moderno) e certamente j� ensai�mos passos disconexos de quase-dan�a em devo��o ao riff furioso e ao ritmo espasm�dico. Sexually Transmitted Electricty � o depurar daquilo que tantos palcos temem, os fantasmas do stoner rock filtrados pela confonta��o do hardcore, apontamentos solistas a la Reign in Blood de bra�o dado com a expansividade do delay, e um eterno ruminar sobre o cansa�o da explos�o. Murros no est�mago necess�rios para que este "rock" se volte a agitar. Bruno Silva
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27: |
Mick Flower & Chris Corsano The Radiant Mirror |
Textile |
Se Chris Corsano j� tinha deixado a sua marca neste 2007 com o disco A Glancing Blow (Clean Feed), em trio com o grande Evan Parker e John Edwards, esta grava��o em duo com Mick Flower ("dos velhinhos e essenciais Vibracathedral Orchestra" � Pedro Rios) � a confirma��o da sua impar�vel energia criativa. A acompanhar o estranho som dronado do banjo japon�s de Flower, a meio caminho entre uma c�tara e uma guitarra el�trica, a percuss�o de Corsano � sempre atenta e vibrante. Focados no som dos seus instrumentos, sem acrescentos desnecess�rios, Corsano e Flower constroem juntos um assombroso monumento de violenta hipnose. Nuno Catarino
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26: |
Arcade Fire Neon Bible |
Merge |
� uma lei quase sem fuga poss�vel: depois de uma estreia bomb�stica, dificilmente um segundo disco consegue a mesma aclama��o da cr�tica e do p�blico. Para conseguir o mesmo impacto de Funeral, os canadianos teriam de fazer Cristo descer � Terra. Como tal se revelou imposs�vel, compraram uma igreja e gravaram nela um �lbum com muitos bons momentos (como �Ocean of Noise� ou a springsteeniana �(Antichrist Television Blues)�), mas tamb�m algum cheiro a d�j� vu. Exemplo disso � �No Cars Go�, simultaneamente o melhor e o pior de Neon Bible: � um tema incrivelmente apaixonado e �pico (dos melhores da carreira da banda), mas a sua inclus�o no disco (com ligeir�ssimas altera��es em rela��o � vers�o editada num EP em 2003) mostra alguma pregui�a e muito oportunismo comercial. João Pedro Barros |
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25: |
Battles Mirrored |
Warp / Vortex |
Os Battles s�o provavelmente uma das bandas mais odiadas pelas pessoas que acompanham �o que de mais marginal se passa no rock� (uma das piores express�es de sempre). Os argumentos usados s�o sempre os de que o que eles fazem (hoje em dia, porque � sempre bom gostar dos EPs que foram lan�ados antes do �lbum) � roubado de vision�rios como os Black Dice, os Lightning Bolt ou os Animal Collective. Se em parte isso � verdade, os Battles e Mirrored n�o soam mesmo como nenhuma dessas bandas. Guitarra numa m�o, teclado noutra, bateria poderos�ssima, vozes alteradas (n�o confundir com �irritantes� e ouvir �Atlas�, o mais gloriosamente estranho single pop do ano) e quase can��es s�o os ingredientes. Math-rock do futuro, a provar que o g�nero n�o morreu, com alguns dos "melhores m�sicos do rock recente" (outra express�o horr�vel). Rodrigo Nogueira
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24: |
Norberto Lobo Mudar de Bina |
Bor Land |
A meio caminho entre o legado português (com Carlos Paredes como óbvia referência, já que o disco lhe é dedicado) e o legado americano (que terá em John Fahey o seu máximo expoente), Lobo explora em Mudar de Bina todo o potencial da guitarra acústica, num álbum quase 100 por cento a solo. A partir dessa abordagem, o músico criou um dos mais belos álbuns portugueses desta década, com tanto de simplicidade como de complexidade: as harmonias são por vezes intrincadas, mas nunca se perde o sentimento de um disco caseiro e lo-fi; a tranquilidade é dominante, mas o ouvinte não deixa de sentir momentos de energia e inquietação. Na sua estreia em disco, Norberto Lobo mostra uma técnica apurada na arte do dedilhar, mas o que mais impressiona é que consegue ser mais impressivo do que orquestras inteiras. João Pedro Barros
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Laura Veirs Saltbreakers |
Nonesuch |
Ela � uma esp�cie de girl next door. Das crises existenciais ao curso de Geologia, v�rios s�o os ind�cios de uma potencial vida banal. E, no entanto, nem tudo o que parece � e nem tudo o que Laura Veirs faz � inconsequente. Prova disso � que Saltbreakers � j� o sexto �lbum de uma discografia toda ela recomend�vel. O travo pop-folk mant�m-se firme, bem como a simplicidade convincente da presta��o vocal de Veirs. E h� a percuss�o a cargo de Tucker Martine, que conhecemos das colabora��es com Sufjan Stevens ou The Decemberists. Se juntarmos ainda o facto de a faixa �Don�t lose yourself�, cart�o de visita do disco, incluir uma frase retirada da obra �Ensaio Sobre a Cegueira� de Saramago, ficamos com mais certezas de que a banalidade n�o mora aqui. Eug�nia Azevedo
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Bill Callahan Woke on a Whaleheart |
Drag City / Ananana |
Bill Callahan n�o sabe fazer discos maus. Em 2007, pausou o alter ego Smog e assinou o seu primeiro disco em nome pr�prio, que se junta a discos incr�veis como Knock Knock (1999) e Supper (2003). Com a ajuda de Neil Hagerty (ex-Royal Trux, Howling Hex) e mais convidados, Callahan faz nove impec�veis can��es de travo cl�ssico. Alguns destaques (quase aleat�rios): "From the rivers to the ocean" e "Diamond dancer", com as cordas a agraciar o embalo grave da voz de Bill; as guitarras desalinhadas e os coros femininos de "Footprints"; e, claro, "Sycamore" (melhor can��o para o amor do ano?). Pedro Rios
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Deerhoof Friend Opportunity |
Kill Rock Stars / Tomlab / Flur |
Friend Opportunity n�o � um disco de rock�n�roll normal, mas � o mais perto que os Deerhoof chegar�o disso. Pode ser confundido com vender-se e tornar o som deles acess�veis, mas � um sinal de maturidade, tanta maturidade quanto uma banda que tem uma japonesa ador�vel a dizer que se fosse um homem e n�s um c�o nos atiraria um pau. E, como sempre nos Deerhoof, o inesperado acontece. Depois de um disco inteiro de can��es curtas, pop, com melodias cantarol�veis, baterias estranhas, guitarras Deerhooficas e a voz doce de Satomi Matsuzaki, para al�m de uma parafren�lia de novos elementos nas can��es, 11 minutos e tal (o que num disco de 36 minutos n�o � nada normal) de experimenta��o. Rodrigo Nogueira
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