DISCOS
Memória de Peixe
Memória de Peixe
· 22 Mai 2012 · 23:37 ·

Memória de Peixe
Memória de Peixe
2012
Lovers & Lollypops
Sítios oficiais:
- Memória de Peixe
- Lovers & Lollypops
Memória de Peixe
2012
Lovers & Lollypops
Sítios oficiais:
- Memória de Peixe
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Memória de Peixe
Memória de Peixe
2012
Lovers & Lollypops
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Memória de Peixe
2012
Lovers & Lollypops
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Nome certeiro para um daqueles discos a esquecer.
Sendo por si só uma ideia algo estafada, a da sobreposição de loops de guitarra como meio para a composição, não é um mal em si quando serve algum propósito maior do que a criação de uma espécie de one man post rock band - ou qualquer coisa que o valha – onde linhas de guitarra bem redondinhas se vão sobrepondo com vista à criação de um tema – para não entrar pelo conceito sofrível da paisagem. Ou o loop pelo loop, num marasmo em que a ferramenta se confunde com uma muleta. A génese de Memória de Peixe assenta nesses mesmos pressupostos, se bem que por uma via que vai mais pelo lado da tendência recente de um falso tropicalismo indie do que do labor monótono do rock instrumental.
Ou seja, um campo igualmente vazio, mas minado por coisas recentes como o pseudo-math bizarro dos Battles, as melodias escorregadias de uns Foals e uma certa ambição sunkissed dos Atlas Sound mais luminosos. Referências pouco abonatórias, num combo de guitarra e bateria que, quando se deseja que chegue às harmonias memoráveis de um Andy Summers, se fica pelos momentos mais estéreis de um Mark Mcguire cabotino, numa sucessão de harmonias fofinhas que não chegam a lado nenhum. Vão-se entrelaçando, numa sequência que se procura sustentar a si mesma sobre uma bateria ocasionalmente quebrada, como que a tentar contrapor com a meiguice de harmónicos e corridinhos.
Memória de Peixe está longe de ser um disco ofensivo, mas encarna o ponto zero da simpatia naquilo que tem de mais inócuo. Ou seja, aparece tão quadradinho – note-se como tem vindo a ser recorrente o uso de diminutivos – e disposto a agradar com uma narrativa melódica plácida que a mínima desconfiança dá logo lugar à indiferença. Sem que isso seja sinónimo de background music, mas sim de um disco indie inconsequente.
“Indie Anna Jones” não só tem um péssimo trocadilho, como se trata de um exemplo perfeito de tudo aquilo que falha numa entrada de distorção a almejar o rock, antes de um assobio de que até o Andrew Bird se riria – depois de “The Whistling Song” e “Maiden's Milk” dos Meat Puppets simplesmente não vale a pena. Logo a seguir “Fish & Chick” tenta passar alguma hotness com a presença da Da Chick, mas encarna toda a chico-street-wiseness (sic) burguesa onde a chamada por "keep on dancing" não se faz ouvir. “DayJob” é pitoresca de um modo que nem o Carlos Bica salva, à procura de alguma da sensibilidade de um Frank Möbus que não aparece.
“NightJob” consegue melhores resultados na sua maior contenção nocturna, mas sofre da sina geral de um disco de estreia que, no seu conforto, esqueceu algumas das características essenciais para a vitalidade. Sem nervo e sem emoção, paira numa atmosfera pseudo-prazenteira de brandos costumes que não se arrisca a suar um pouco – falta-lhe calor para isso – ou a inventar um diálogo ressonante. Na falta de qualquer coisa para que nos lembremos de Memória de Peixe, fica-se por aqui.
Bruno SilvaOu seja, um campo igualmente vazio, mas minado por coisas recentes como o pseudo-math bizarro dos Battles, as melodias escorregadias de uns Foals e uma certa ambição sunkissed dos Atlas Sound mais luminosos. Referências pouco abonatórias, num combo de guitarra e bateria que, quando se deseja que chegue às harmonias memoráveis de um Andy Summers, se fica pelos momentos mais estéreis de um Mark Mcguire cabotino, numa sucessão de harmonias fofinhas que não chegam a lado nenhum. Vão-se entrelaçando, numa sequência que se procura sustentar a si mesma sobre uma bateria ocasionalmente quebrada, como que a tentar contrapor com a meiguice de harmónicos e corridinhos.
Memória de Peixe está longe de ser um disco ofensivo, mas encarna o ponto zero da simpatia naquilo que tem de mais inócuo. Ou seja, aparece tão quadradinho – note-se como tem vindo a ser recorrente o uso de diminutivos – e disposto a agradar com uma narrativa melódica plácida que a mínima desconfiança dá logo lugar à indiferença. Sem que isso seja sinónimo de background music, mas sim de um disco indie inconsequente.
“Indie Anna Jones” não só tem um péssimo trocadilho, como se trata de um exemplo perfeito de tudo aquilo que falha numa entrada de distorção a almejar o rock, antes de um assobio de que até o Andrew Bird se riria – depois de “The Whistling Song” e “Maiden's Milk” dos Meat Puppets simplesmente não vale a pena. Logo a seguir “Fish & Chick” tenta passar alguma hotness com a presença da Da Chick, mas encarna toda a chico-street-wiseness (sic) burguesa onde a chamada por "keep on dancing" não se faz ouvir. “DayJob” é pitoresca de um modo que nem o Carlos Bica salva, à procura de alguma da sensibilidade de um Frank Möbus que não aparece.
“NightJob” consegue melhores resultados na sua maior contenção nocturna, mas sofre da sina geral de um disco de estreia que, no seu conforto, esqueceu algumas das características essenciais para a vitalidade. Sem nervo e sem emoção, paira numa atmosfera pseudo-prazenteira de brandos costumes que não se arrisca a suar um pouco – falta-lhe calor para isso – ou a inventar um diálogo ressonante. Na falta de qualquer coisa para que nos lembremos de Memória de Peixe, fica-se por aqui.
celasdeathsquad@gmail.com
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