DiscoBruce Springsteen Working on a Dream

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2009
Columbia / Sony BMG

Sítios oficiais:
Bruce Springsteen
Columbia
Sony BMG

O Boss ainda é o Boss, o mesmo de sempre. Será isso mau ou bom?


Os nomes de algumas das canções – e aquilo a que as próprias canções soam – de Working on a Dream parecem precisamente aquilo que se espera de Bruce Springsteen. Será isso mau? "Working on a Dream", "Outlaw Pete", "Queen of the Supermarket", são nomes que alguém inventaria se quisesse troçar das canções do Boss. Roçam a auto-paródia. Mas até que ponto é que isso é realmente mau? Como é que alguém a quem chamam Boss pode lançar um disco mau? Como é que manter-se fiel às expectativas é mau? Haverá respostas definitivas a estas perguntas? Provavelmente não, mas há Working on a Dream.

Cantar a classe trabalhadora, Nova Jérsia e a América – a boa América – e torná-la maior do que a vida – um lugar comum inescapável – através das canções – talhadas à medida de um estádio – sítio onde o Boss se sente em casa, especialmente ao lado da sua E Street Band – sempre foi, mais ou menos, a onda do homem. Claro, há Nebraska e uns quantos anos de carreira em que não eram estádios que se enchiam, mas sim sítios mais pequenos. Mas, regra geral, o que se espera do Boss é um riff como o de "My Lucky Day", a voz rouca a esforçar-se, um solo de saxofone alto de Clarence Clemons e um olhar de cumplicidade enquanto se toca guitarra lado a lado com Steven Van Zandt. E é isso que Working on a Dream traz.

É rock, rock "a sério", "sentido", "autêntico", "genuíno" essas coisas todas que parecem ter grande valor mas não quase nenhum: estamos a falar de um tipo que pergunta "is there anybody alive out there?" ao público da Super Bowl quando, com a sua E Street Band e a adição de uma secção de sopros e dezenas de pessoas em palco, apenas a sua voz era ao vivo, ou de alguém que canta a classe trabalhadora e é trilionário – escolha-se o significado que se quiser para esta palavra, basicamente o gajo tem imenso dinheiro. Mas, quase aos 60 anos, continua com uma energia e um talento brutais, que se traduzem em óptimas canções e um óptimo disco.
Não é um Born to Run, não é uma refutação de nada, nem sequer uma reivindicação contra o governo – Barack Obama é fã de Springsteen e vice-versa, até tocou na tomada de posse. São os mesmos sons de sempre – sopros, cordas, metalofones, pianos, etc. –, os mesmos tópicos de sempre, tão bons quanto sempre foram. Tal e qual se esperaria dele.

Rodrigo Nogueira
rodrigo.nogueira@bodyspace.net


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