Hawnay Troof
Islands of Ayle
· 21 Nov 2008 � 09:21 ·
Hawnay Troof
Islands of Ayle
2008
Retard Disco / Sabotage


Sítios oficiais:
- Hawnay Troof
- Retard Disco
- Sabotage
No dia em que tentará conquistar a Invicta, com actuação no Plano B, o contagiante rap branco de Hawnay Troof assenta o rabo na berlinda do Bodyspace.
O inferno do rap branco é um lugar amplo e desde sempre condenado a uma vigia atenta por parte da polícia do bom gosto. Condenados por crimes semelhantes, os Limp Bizkit e os Bloodhound Gang, exemplos infames dentro da linhagem, pertencem agora a um calabouço que ninguém se atreve a espreitar. Ambos provocam náuseas, mas há que saber estabelecer diferenças: os Limp Bizkit eram um monstro megalómano que se transformou numa anedota, os Bloodhound Gang eram uma anedota que se transformou num monstro megalómano.

Ambos provaram que determinado rap plástico era essencialmente hip-hop perspectivado com alguma dose de ironia e sem qualquer genuidade. Sem pertencer a qualquer uma das parcelas, Hawnay Troof representa a actualidade do rap branco, aqui surgido na sua forma mais distorcida, exagerada e disposta ao gozo e patetice (todos adjectivos aplicáveis ao electro que filtra também o disco). O género caucasiano é afinal bem mais complexo e divisível do que parecia à partida. Hawnay Troof é uma óptima anedota, tal como eram os Spinal Tap.

Uma óptima anedota inteligentemente conspirada por Vice Cooler, cidadão irritadiço de Oakland, e, neste terceiro disco, guarnecida (e validada) pelas participações de Xiu Xiu, Carla Bozulich (Evangelista), Randy Randall dos No Age, Mary Pearson dos High Places, entre outros. Sendo certo que tais nomes insuflam automaticamente a projecção de Islands of Ayle (VC tem bons amigos), não deixa de ser estranho reparar que as identidades convidadas diluem-se até ao ponto de ser incerto o paradeiro de cada uma (sabe-se que Brezel Goring ajuda à hiperactividade mística de “Front My Hope”, enquanto que Jenny Hoyston de Erase Errata rima a rebeldia de liceu numa “Out of Teen Revisited”, que surge camuflada por um sintetizador gorduroso que é habitualmente x-acto afiado nas mãos dos Soft Pink Truth, com quem VC mantém relações cordiais).

Islands of Ayle é, aliás, um caldeirão que mastiga quase tudo até ao ponto do irreconhecível: os graves booty (muito Sir Mix-a-Lot) parecem às vezes feitos à medida do frenesim da favela em festa, o electro fabricado à luz do Gigante Bambaataa ameaça o colapso no corpo de todos os que o tentarem dançar sem recorrer a químicos.Islands of Ayle é muita areia para o camião do humano comum. O mais céptico dos polícias do bom gosto acreditaria que esta poderia ser criação de um primata com um sexto sentido funk. Todos os outros contam hoje com boa oportunidade para tirar as medidas ao bicho num Plano B que promete cenário de circo em chamas e deboche para esquecer amanhã.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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