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Hinds
Música feita (de) paixão


Guiados pela mão quente, sorriso contagiante e parcas palavras cheias de coração de Carlotta Casials, vocalista e guitarrista da banda madrilena, o Bodyspace entrou, salvo seja, pelas Hinds adentro. Do nascimento à ascensão destas miúdas cheias de pica, passando pela língua cantada ou o universo da música feita no país vizinho, tempo pautado pela alegria e despojamento de quem ama e se diverte a fazer música. Realizada dias antes da aterragem da banda madrilena em Portugal onde esteve a divulgar o seu primeiro álbum de originais, Leave Me Alone, com concertos no Porto e Lisboa, dos quais já reza uma reportagem nas nossas páginas, fica a voz escrita de Carlotta, verdadeira amante de Portugal como verão, em nome colectivo. Das chicas que querem comer este mundo e a “cabeça de um outro” sobra uma entrevista para ler agora e digerir depois ao som de músicas como “San Diego” ou “Garden”.
Quem são as Hinds e o que pretendem deste mundo cão que é a música?

Somos as Hinds e prometemos não te fazer mal.

Já levam um par de anos a fazer música juntas, porquê só agora um longa duração?

Começamos em 2014. No dia 26 de Abril desse ano demos o primeiro concerto da nossa história e, a partir daí, foi um processo gradual de crescimento em que actuamos e compomos até este momento.

A quem é que vocês ordenam que vos deixem sozinhas?

A quem acredita conhecer a chave do nosso sucesso, a quem crê que conhece melhor este projecto melhor do que nós.

Não é usual uma banda espanhola cantar em inglês, mas vocês fazem-no. Foi uma escolha pensada e dirigida ou aconteceu naturalmente?

Saiu de uma forma completamente natural. Na primeira vez que balbuciamos algo em cima de três acordes de guitarra, o que se pôde perceber vinha em inglês. Suponho que isto radica na música que ouvimos, música maioritariamente cantada em inglês.



As vossas músicas levam-nos para um universo que se situa entre um Bob Dylan e uma Janis Joplin algures na América profunda a pedirem boleia para a Califórnia a um Jim Morrison já bêbado que entretanto passa. Quão longe da realidade está esta definição?

[risos] Trocaria Janis Joplin por Patti Smith e Jim Morrison por um Mac DeMarco já bêbados.

Andaram pela Tailândia, Austrália e Estados Unidos da América, como é que o público, e ainda por cima tão diverso, recebeu a vossa música?

As pessoas mudam muitíssimo de cidade para cidade, assim como a sua cultura. Há cidades que vivem em festa constante, enquanto noutras chegamos para as desassossegar.

Um crítico musical de São Francisco escreveu que, durante os vossos concertos, “os sorrisos são infecciosos e a alegria contagiante” e que as Hinds estão preparadas para conquistar o mundo? É isto que o público português poderá esperar de vós em Fevereiro?

Nós e o público português entendemo-nos maravilhosamente bem. Sabem que vamos dançar, suar e, quiçá, até levar um bom par de pisadelas, mas nunca iremos parar de sorrir. Prometemos que vamos ser livres por uma noite.

Teremos direito a surpresas?

Todos os dias são uma caixinha de surpresas...



O que é que conhecem de Portugal e da sua música?

Da música não conhecemos muito, mas Portugal encanta-nos. Repara, este ano vai ser uma loucura em termos de tournées e só tínhamos sete dias entre uma tournée de cinco semanas e outra de três…mas Portugal não estava em nenhuma. Decidimos, então, que não haveria descanso, que queríamos vir ao vosso país custe o que custasse! Tenho uma casa aqui, em Peniche. É o meu lugar favorito de todo o mundo.

Como é o universo musical espanhol? Como se sentem as Hinds nele?

Não nos sentimos muito “de Espanha”, mas mais de Madrid. A Madrid que nos viu nascer e nos criou. Madrid não é uma cidade exibicionista, chique, prepotente…não tem um grande rio nem arranha-céus ou apenas monumentos históricos… Nem sequer temos praia! Mas Madrid é a melhor porque o seu céu é azul, Madrid é a melhor porque as suas gentes são as melhores, é a melhor porque é amável, agradável e barata! Madrid é maravilhosa, é o nosso lar e isso nota-se muitíssimo na nossa música.


Fernando Gonçalves
f.guimaraesgoncalves@gmail.com
16/02/2016