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Isaura
Regressar e simplificar


Andou pela Operação Triunfo e, como consequência, foi pressionada a lançar-se na música. Conta que esperou que se esquecessem dela para se atirar aos lobos, e olhando para “Serendipity”, o EP com que se estreia, lançado pela NOS Discos, ninguém se importará de ter tido que esperar. Os dois primeiros singles, “Useless” (lançado nas redes sociais sem aviso prévio) e “Change It”, têm sido fortemente elogiados na imprensa especializada e Isaura liderou os tops do Tradiio em Maio com “Change It”. Este último single tem ainda a particularidade de ter sido produzido por Ben Monteiro, dos D'Alva, para quem Isaura só tem boas palavras. Em entrevista à Bodyspace, Isaura, que há muito tem sido apontada como uma das revelações do ano 2015, fala das inspirações para o álbum, dos próximos concertos, dos videoclips e da relação pessoal com a música.
A Isaura é 'escrava' da música?

Sempre fiz questão de nunca deixar que a música fosse uma pressão, uma coisa má. A música é precisamente o meu espaço de libertação, o meu descanso. Quando saí da Operação Triunfo, por exemplo, durante mais de um ano que qualquer pessoa que me encontrasse me perguntava quando é que eu fazia alguma coisa relacionado com a música. E aí senti-me escrava da música; e tive de esperar que se esquecessem de mim. Era tudo uma imposição, tudo lutava contra o tempo e o tempo contra tudo. E não gostei disso porque senti que me queriam levar o bonito e a paz da música. Vou sempre proteger a música, porque preciso muito dela.

De onde surge a inspiração para o EP?

Estas canções são o relato de coisas que vivi, que fui presenciando. Esta é a minha forma de guardar recordações, memórias, lições, emoções. O EP reúne essas histórias (todas já algo antigas, exceptuando a Dancefloor) e a sorte de ter encontrado as pessoas certas para trabalharem comigo.

Já encontraste pessoas a cantarolar as músicas?

Já, e não há melhor sensação do mundo!



No concerto de apresentação, sentiste que o público já conhecia a sonoridade, ou muitos ainda foram "à descoberta"?

Eu tinha revelado uma música e as pessoas quiseram ir ouvir mais, deram-me esse benefício da dúvida. Penso ter construído um EP coerente mas acho que ainda nem eu própria conheço a minha sonoridade. É um percurso que quero fazer devagar, passo a passo, e com as pessoas também!

Como vês o sucesso que o primeiro single, "Useless", trouxe ao projecto?

Fico muito contente por as pessoas terem gostado, por terem partilhado e por me terem enchido de coragem e carinho. Acima de tudo, guardo a Useless e o feedback que tive como a maior gentileza que as pessoas podiam ter tido para comigo.

A música pop e a música electrónica são cada vez mais indissociáveis?

Para mim, pessoalmente, é a pop que eu não quero largar. Porque eu gosto de fazer músicas para as pessoas, gosto que elas tenham sempre um espaço onde participar. As ferramentas que escolho é que podem variar; gosto das sonoridades que vêm do electrónico e da música alternativa e o meu objectivo é ir buscar esses sons para contar histórias e fazer melodias fáceis.

O regresso às sonoridades dos anos 80 e 90 é uma nova tendência no mundo da música?

Os anos 80 e 90 têm grandes canções, grandes batidas e num mundo cheio de sintetizadores e de ferramentas. Acho que há uma necessidade de voltar atrás, de simplificar, à procura do balanço entre as tecnologias e a infinidade de possibilidades e o genuíno de que se construíam essas canções.

O registo quase cinematográfico dos videoclips é fruto da música que fazes?

O meu maior foco é ser o que sou, ser despenteada, ter a minha forma de fazer as coisas, ser diferente. E procuro pessoas dispostas a arriscar e a inovar. O Duarte Domingos e o Filipe Penajoia são jovens talentosos com vontade de pensar fora da caixa, fez todo o sentido. No futuro não sei se esse continuará a ser o registo escolhido; será certamente aquele que completar melhor aquela história em especifico.



Como foi trabalhar com Ben Monteiro?

O Ben faz parte de uma nova geração de produtores que, na minha opinião, terá a responsabilidade de conduzir muito do que se faz em Portugal. Ensinou-me, deu-me espaço para procurar a minha identidade e, acima de tudo, foi meu companheiro. É uma pessoa e um produtor especial que quero guardar.

Onde vamos poder ver a apresentação deste EP ao vivo nos próximos tempos?

Em Junho estive entre Lisboa e o Porto a rodar o EP num set mais reduzido, e em Julho, com banda e numa produção maior, podem ir ouvir-me ao SBSR!

Já pensas na criação de um álbum?

Definitivamente sim. Esse é o meu objectivo até porque é a minha parte favorita. O que mais gosto de fazer é estar em estúdio a criar!


Simão Freitas
spfreitas25@gmail.com
03/07/2015