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Easyway
A vida num só dia


Ao contr√°rio do que o nome possa fazer crer, nem sempre tem sido f√°cil. H√° que suar o soalho do palco, cumprir o per√≠odo de matura√ß√£o nas primeiras maquetas, manter bem vivo o esp√≠rito de equipa que inspira cada um (os quatro m√ļsicos e colaboradores) a operar o seu dom√≠nio na primeira pessoa. Goste-se ou n√£o, Forever in a day √© um triunfo certeiro na √°rea do punk rock mais mel√≥dico. Tiago canta como sente. D√° voz ao cora√ß√£o ardente que um dia bateu, com semelhante intensidade, √† direita do peito dos Samiam, Bodyjar ou ‚Äď numa toada mais ‚Äúgoofy‚ÄĚ e recente ‚Äď Midtown (nome que o baixista Miguel envergava na t-shirt que trazia vestida num concerto). N√£o significa isto que os Easyway sejam farinha de um mesmo saco. √Ä sua maneira, avan√ßam rumo a um sol sequestrado √† Calif√≥rnia. Num dia igualmente solarengo, o Bodyspace contou com o religioso conhecimento de uma ac√©rrima e genu√≠na f√£, e foi tentar compreender o m√©todo Easyway.
Como correram as coisas por França?

Tudo correu pelo melhor, n√£o foi a primeira vez que fomos tocar a territ√≥rio franc√™s, mas foi definitivamente das melhores tourn√©es que j√° tivemos. Nesta tourn√©e deu para perceber que a Fran√ßa tem uma grande e forte cena underground, bem constru√≠da, com bastantes bandas, concertos e principalmente muito apoio por parte das pessoas. A resposta do p√ļblico foi simplesmente espectacular. Inclusive, havia s√≠tios em que nunca t√≠nhamos tocado e j√° havia gente a cantar as nossa m√ļsicas, para al√©m disso todas as bandas com que toc√°mos terem feito com que nos sent√≠ssemos em casa, especialmente os Twisted Minds - a banda Francesa que nos acompanhou nesta odisseia galesa.

Que expectativas em relação à aventura alemã?

Algumas expectativas... Sempre nos disseram que na Alemanha havia uma forte "cena" underground, e não só. E é isso que vamos descobrir! Além disso, é um dos países onde o álbum está à venda, e ainda não tocámos; portanto, só podemos esperar coisas boas! Se correr tão bem como no resto da Europa, então estamos bem!

Qual foi a dimens√£o do passo entre a maquete Choose the easyway e o √°lbum Forever in a day? O que mudou?

A passagem de uma demo para um álbum foi algo inesperado... Inicialmente iríamos gravar um EP! Surgiu a oportunidade de se fazer um álbum, e nós aproveitámo-la! Da demo para o album mudou muita coisa... Um elemento da banda - o Danilo - entrou para o grupo. Esse facto, por si, muda muita coisa! A mentalidade da banda relativamente ao nosso trabalho, e profissionalismo mudou muito também... Começámos a levar as coisas mais a sério, e a trabalhar com mais empenho, digamos... Todos a remar na mesma direcção!

Que novidades trouxe o Miguel à banda?

Quando o Andr√© tomou a decis√£o de sair da banda, fic√°mos um tempo a tentar decidir o que fazer relativamente a um novo baixista... Mas a d√ļvida nunca se p√īs sobre a pessoa certa - o Miguel era um amigo de longa data, inclusivamente j√° tinha tido uma outra banda - com o Danilo - anterior aos EASYWAY, portanto nunca sentimos um choque t√£o forte como seria de esperar com a mudan√ßa!

Forever in a day pode ser visto como um conjunto de singles ou resulta apenas quando escutado na íntegra?

O √°lbum Forever in a Day √© quase como um Best Of... Ou seja, todas as m√ļsicas que se encontram no disco fazem parte da hist√≥ria da banda, da√≠ algumas m√ļsicas da maquete terem sido re-gravadas. O objectivo do nosso trabalho foi fazer um disco que agradasse √† banda. Por isso, acho que √© um √°lbum que se deve ouvir na √≠ntegra, pois reflecte um pouco da hist√≥ria da banda.

No que diz respeito a promoção / booking, onde termina o vosso contributo e começa o trabalho da editora? Há cooperação?

Falando da Raging Planet, que é a editora que lançou o álbum em Portugal - a nossa promoção passa sempre por nós... Tentamos fazer o máximo que podemos como banda, tanto em termos de composição, como de tudo o resto que está implícito quando se tem uma banda. A promoção da editora é limitada, é de relembrar que não estamos a falar de uma "major"... A RP é uma editora independente que faz o melhor que pode, com os meios que tem! Ajudamo-nos mutuamente!

Rev√™em-se na categoria de ‚Äúself-made band‚ÄĚ? D√£o valor ao controlo criativo de quase todos os aspectos?

N√≥s somos uma banda que gosta de trabalhar na nossa produ√ß√£o, na nossa imagem, etc... Da√≠ gostarmos de ser sempre n√≥s a tratar de quase tudo que seja relacionado directamente connosco. Dentro da banda temos um produtor (o Miguel, guitarrista) que tem um est√ļdio de grava√ß√£o, temos um produtor de v√≠deo (o Danilo) que nos realiza e edita os v√≠deos e temos um Designer (o Miguel, baixista) que acaba por tratar dos nossos posters, flyers, capas, etc... N√≥s para al√©m de banda e grupo de amigos, somos uma equipa de trabalho. Da√≠ gostarmos de ter controlo criativo sobre as nossas coisas.

Agora que j√° passaram pelos lugares cimeiros da MTV Hit List, n√£o ponderam reformular a letra de ‚ÄúModel Rockstar‚ÄĚ?

Obviamente que não... O facto de estarmos nos "tops" da MTV não significa que nos revejamos na letra que fizemos. Essa letra é uma critica à falta de personalidade de certo tipo de pessoas, e nós não encaixamos nessa descrição! Na nossa opinião, a MTV é um meio de promoção tão valido como as rádios, a imprensa escrita, ou os concertos...! Ter um vídeo no top não significa que temos falta de personalidade, até porque se estamos lá, é porque as pessoas votaram em nós. Portanto à resposta à questão é NÃO!!

Sentem-se imunes √† acusa√ß√£o ‚Äúl√°-l√°-l√°-l√°‚ÄĚ? Reivindicam o direito √† melodia?

N√≥s temos um som mel√≥dico, catchy, "easy listening" e, infelizmente, muitas pessoas acusam-nos de sermos "l√°l√°l√°". Eu acho que cada banda faz o som com que melhor se identifica, se por ventura o som for mais catchy, as pessoas n√£o podem por logo de parte por ser mais mel√≥dico e catchy. As pessoas t√™m de ver a banda pela qualidade dela mesma, a melodia √© um direito tal como a m√ļsica pesada tamb√©m o √©. Se em vez de se acusar tanto, se apoiasse mais, seria mil vezes melhor a cena portuguesa.

Quais das tr√™s hip√≥teses vos parece a mais l√≥gica e apetec√≠vel: ‚Äúv√° para fora c√° dentro‚ÄĚ, ‚Äúvenha de fora c√° para dentro‚ÄĚ, ‚Äúv√° para fora c√° de dentro‚ÄĚ?

Arrisco-me a dizer: a ultima e a primeira! N√≥s adoramos estar em tour... S√£o oportunidades √ļnicas de tocar para outros p√ļblicos, outras culturas, outros lugares... √Č irreal chegar a um sitio em que n√£o conhecemos ningu√©m, onde n√£o h√° amigos para ir aos concertos dar aquele apoio, e ter centenas de pessoas num concerto para nos verem!! Em Portugal, ainda h√° muito aquela mentalidade de "o que vem de fora √© que √© bom...", que, felizmente, est√° lentamente a mudar. Na minha opini√£o, cada vez mais h√° mais e melhor c√° dentro!

Que diriam a uma participação no próximo Deconstruction?

Como é óbvio, víamos com bons olhos a hipótese de participar num dos melhores festivais de punk-rock do Mundo. Um dos objectivos da banda é continuar a crescer para, quem sabe um dia, participar numa tournée deste género. Se formos convidados, aceitaríamos de bom agrado. Se não formos, iremos certamente continuar a trabalhar para isso.

H√° vitalidade na ‚Äúcena‚ÄĚ actual?

N√£o tanto como houve nos anos 90... Mas sim, e cada vez mais! T√™m surgido mais projectos com mais qualidade, editoras interessadas em apostar nas bandas, e uma s√©rie de outros eventos que apoiam o que se faz por c√°! Parece-me que falta p√ļblico a comprar CD's, que √© muito importante, porque isso justifica a continuidade das editoras e das bandas. Mas todos sabemos como hoje em dia √© f√°cil (ou dif√≠cil) com a internet... E por ultimo, h√° uma grave falta de espa√ßos com boas condi√ß√Ķes para as bandas tocarem, especialmente em Lisboa!

Que impress√£o guardam do Joey Cape?

O Joey foi impecável. Desde o momento em que o abordámos com a proposta de participar no álbum, até ao momento em que nos despedimos. Foi extremamente aberto em relação à ideia de participar num álbum duma banda que tinha acabado de conhecer. Fez-nos vários elogios relativamente à musica que fazíamos, e à nossa postura como banda! Ainda tivemos a oportunidade de ir jantar com ele... E foi realmente daqueles momentos que não poderíamos imaginar que viessem a acontecer.

Que discos alheios ao punk-rock re√ļnem consensos entre os quatro membros dos Easyway?

Dentro da banda existem in√ļmeras influ√™ncias diferentes, cada membro tem o seu g√©nero de som preferido: o Tiago √© mais EMO, o Miguel S. M. √© mais Rock'n'Roll, o Danilo √© mais metaleiro e o Miguel P. M. gosto muito de punk mais cl√°ssico, emo, screamo e hardcore, por exemplo. √Ālbuns alheios ao punk-rock que alcan√ßam algum consenso... Lembro-me agora do Apetite for Destruction dos Guns n'Roses, do Black √Ālbum dos Metallica, os √°lbuns de Pantera e Sepultura, e muitos mais que n√£o me recordo de momento.

Fazem ideia se o Paulo Gonzo gostou da vossa vers√£o de ‚ÄúJardins Proibidos‚ÄĚ?

N√£o tenho d√ļvidas que o Paulo Gonzo tenha gostado da vers√£o, caso contr√°rio n√£o nos teria cedido os direitos da mesma. Eh eh.


Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
04/04/2005