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KK Null
Senhor do ruído


Kazuyuki Kishino, conhecido artisticamente como KK Null, n√£o √© um senhor de muitas palavras, pelo menos por e-mail, o meio poss√≠vel para esta entrevista, nas v√©speras de actuar no festival Trama (s√°bado, 10 de Outubro, bar do Passos Manuel, √† meia-noite). O japon√™s cai bem num festival dedicado √†s artes performativas e, por arrasto, da rela√ß√£o que mantemos com o corpo ‚Äď o nosso e o dos outros. Como ele diz, nesta telegr√°fica entrevista, o noise atrai-o pelas ‚Äúdin√Ęmicas f√≠sicas, a abstrac√ß√£o, o extremo, a pureza‚ÄĚ. Nada que surpreenda vindo de um antigo bailarino de Butoh.
Como é o espectáculo que vai mostrar no Porto?

Vou apresentar trabalhos electro-ac√ļsticos a que chamo de ‚Äúcosmic noise‚ÄĚ, incluindo vers√Ķes diferentes das faixas do meu ultimo √°lbum, ‚ÄúExtropy‚ÄĚ, e algumas faixas novas que compus para este concerto

Qual é a sua abordagem aos concertos? São espectáculos totalmente improvisados?

Basicamente, componho algumas faixas e preparo o alinhamento todo antes do espect√°culo no meu est√ļdio caseiro. Em palco, improviso sobre ele usando Kaoss pads, microfones de contacto e a minha voz.

Como artista solo, trabalha com ruído digital. Porque é que abandonou a guitarra, que tocava nos Zeni Geva?

Fartei-me de fazer noise com a guitarra e quis explorar um novo horizonte através de aparelhos electrónicos puros como o sintetizador, o Kaoss pad e outros.

Fez e estudou Butoh. Mantém uma relação com essa forma de arte?

Já não faço Butoh, mas continuo muito interessado. Estou a planear um projecto colaborativo com uma companhia de dança em Paris que deve acontecer em 2010.

Os Zeni Geva est√£o mortos ou h√° novos projectos para a banda?

Não, os Zeni Geva estão vivos. Regressamos e fizemos uma digressão de três semanas na Europa, incluindo o festival de Roadburd, em Tilburg, na Holanda, em Abril. Correu muito bem. O segundo baterista original do grupo, Tatsuya Yoshida (Ruins, Koenji-Hyakkei, etc.), voltou à banda pela primeira vez em 20 anos, o que fez de nós algo mais poderoso e progressivo. Não percas da próxima vez que tocarmos na Europa.

Como KK Null, tem mais de 100 discos. Não teme as consequências de tanta produção?

Não tem com que se preocupar. Só tenho feito o que quero e a minha inspiração e criatividade vão durar para sempre. Sem problema.

Tem um disco, "Kosmo Incognita", na portuguesa Thisco. Como é que isso aconteceu?

N√£o me lembro como aconteceu. O tipo da editora contactou-me e...

O que é que o atrai no noise?

As din√Ęmicas f√≠sicas, a abstrac√ß√£o, o extremo, a pureza...

O que é que o leva a colaborar com tantas pessoas diferentes? Por vezes, vejo a cena noise e avant-garde como um grande clube social.

Diria que estamos todos envolvidos num grande clube social, n√£o estamos? √Č assim com tudo o que fa√ßas, onde quer que estejas, desde que vivas nesta sociedade. Ou achas que n√£o?


Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com
08/10/2009