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Cherushii & Maria Minerva
Cherushii & Maria Minerva
· 18 Nov 2019 · 13:16 ·
Cherushii & Maria Minerva
Cherushii & Maria Minerva
2019
100% Silk


Sítios oficiais:
- Cherushii & Maria Minerva
- 100% Silk
Cherushii & Maria Minerva
Cherushii & Maria Minerva
2019
100% Silk


Sítios oficiais:
- Cherushii & Maria Minerva
- 100% Silk
Epitáfio.
É sempre difícil fazer uma análise crítica do trabalho de um artista já falecido. O pudor impede-nos de maltratar aquilo que é ou poderia ter sido a sua obra; escondemos a verdade pelo respeito. Principalmente quando essa mesma morte é inesperada ou trágica. Tal é o caso de Cherushii, uma das vítimas do incêndio no Ghost Ship, em 2016.

E é difícil criticá-la não só porque morreu, mas porque também não tinha nome - e o nome age como uma carapaça perante as vozes externas. Não era um Bowie, um Prince, um George Michael; era uma artista cujo talento não era reconhecido para além de uma comunidade reduzida de pessoas. O pudor instala-se também por isso: quem somos nós para pontapear alguém que era tão querido para uma comunidade reduzida de pessoas? Todos os nomes supracitados não precisam que façamos a sua defesa: os fãs fazem-na por nós.

Dito isto, a defesa do que Cherushii era enquanto artista e pessoa foi feita de forma muito mais exemplar do que aquilo que alguma vez poderíamos ter feito pela caneta de Maria Minerva, neste texto para a Vice. Resta-nos tentar avaliar o seu epitáfio, Cherushii & Maria Minerva, da forma mais objectiva possível, sem cair na tentação do elogio fácil derivado apenas da morte.

Cherushii & Maria Minerva é uma espécie de álbum póstumo onde algumas canções antigas ganham o conforto da voz blasé da estoniana, cujo alcance não tem mudado ao longo dos tempos. E é por isso que é delicioso: uma ternura cool que paira sobre camadas de electrónica, como o comprovam The Integration LP, com LA Vampires, ou Histrionic, álbum a solo com um dos versos mais ácidos de sempre em relação ao underground: Same places, same faces, same music, everything's the same...

Tudo somado, não seríamos capazes de dizer - e não é por pudor - que Cherushii & Maria Minerva só é salvo por esta última. Há uma dança nostálgica que não é retrógrada a perpassar a primeira meia-hora, os anos 80 e 90 fundidos em aura hipster, como se aquelas velhas cassetes da Rádio Cidade que se tinha aos 4 anos fossem, de facto, a melhor coisa que já ouvimos. Esquecendo "Thin Line" e uma remistura manhosa de "A Day Without You", a faixa que abre o disco, encontramos o fulgor de "Out By Myself" à espera de ser transformado numa eventual banda-sonora de um eventual Streets Of Rage. Se conseguimos escapar à ideia de que a produtora morreu? Não, mas podemos fazer como os irlandeses: celebrar o que ela foi em vida, mesmo no meio da tristeza.

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