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Davor Mikan
Täuschung
· 25 Abr 2008 · 08:00 ·
Davor Mikan
Täuschung
2007
Crónica


Sítios oficiais:
- Crónica
Davor Mikan
Täuschung
2007
Crónica


Sítios oficiais:
- Crónica
Todas as liberdades formais são tomadas por este ruidoso OVNI faminto de juízo alheio.
Coisas há que passam melhor sem serem detalhadamente explicadas. Ou seja, tudo o que daqui em diante se acrescentar acerca de Täuschung não só atraiçoa o potencial do seu factor armadilha-surpresa, como humedece a pólvora acumulada num barril cujo conteúdo corrosivo e cacofónico faz com que todo o glitch associado aos piores pesadelos passe agora a ser canção de embalar para atrair os mais rosados sonhos. A Crónica, que lança o disco como afronta para superar anteriores afrontas, aclama no press-release que, no fundo, Täuschung tem a música pop como coração. Sim, quando a água for uma comodidade negociada a um preço superior ao do petróleo, Mariah Carey terá de ensaiar outras manobras de marketing para superar nas tabelas de venda o austríaco Davor Mikan.

Por agora, Davor Mikan pode gabar-se de um disco que enxovalha os sons como se estes estivessem sujeitos aos efeitos de um colapso nervoso, que torna mais diabólicos os seus parágrafos narrativos ao desrespeitar uma noção vulgar de integridade (desconhece-se o paradeiro do “início” e “fim” da maioria das composições), que fomenta sensações de torpor (ruído ilimitado) inversas às mais aveludadas que se conhecem a Musicamorosa de Beautiful Schizophonic, também na Crónica. Visualmente, é como se dos escombros destes sons estilhaçados e pequenos contos atrofiados emergisse um braço de aparência híbrida - entre o humano e o robótico, mas por toda à parte semelhante ao que poderia sair de um ecrã de televisão a transmitir o canal Videodrome (tal como conhecido ao filme do mesmo nome assinado por Cronenberg).

Se a pop anda realmente por aqui, aproveite-se o lamento que 50 Cent e Justin Timberlake cantam em “AYO Technology” como sinal da carência que sentem por não terem as suas damas – em “carne e osso” - sentadas ao colo, em vez de apenas presentes na virtualidade de um ecrã de telemóvel. Porque não dar o melhor uso à tecnologia e contacto físico? Täuschung gere quase fisicamente sons xistosos com o auxilio paralelo de programas digitais que Davor utiliza normalmente para desenho gráfico. Devora todo o juízo que lhe é dedicado e arrota o agrado desse repasto trinta e uma vezes, sem direito a resposta.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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