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Phoebus + The Dead Texan
Teatro Passos Manuel, Porto
15/01/2005


O Passos Manuel entrou numa nova fase da vida e, com os Maus Hábitos do outro lado da rua, encabeça uma dinamização da vida cultural portuense. Bem precisa esta cidade de espaços como o Passos Manuel com programação regular, coerente e, sobretudo, de bom gosto e sentido de oportunidade. Foi assim com a aparição de Antony em terras portuguesas e é assim com o concerto dos Dead Texan, pouco depois da edição do álbum de estreia do projecto de Adam Wiltzie, dos Stars Of The Lid, e Christina Vantzos, artista visual que produz alguns dos vídeos registados em DVD e que também colabora na música dos Dead Texan.

O ecrã de cinema do Passos acolheu as imagens que acompanharam os concertos do duo e do português Phoebus. Porém, o palco revelou-se grande demais e demasiado distante do público. Phoebus, sentado no chão, com os olhos fixos no laptop, começou com uma longa peça ambiental algo soporífera, não muito distante do trabalho de Rafael Toral. À medida que o set decorria, Phoebus endureceu o discurso e o que antes era uma nebulosa massa de som em deambulação sonâmbula deixou-se contaminar por cortes cirúrgicos, criando ritmo.

Menos pungentes, os Dead Texan foram uma relativa desilusão. Não que se pudesse esperar uma grande diferença na transposição para palco dos sons e imagens contidos no CD e DVD homónimos, editados recentemente pela Kranky; o problema foi que o desejo de estar mais confortável em casa (vai um cházinho e um drone?) ofuscou a inegável beleza da música do duo. Nada falhou: as massas sonoras paisagísticas, leves irrupções de piano e voz, a evocação de Eno e Morricone, a arte de retirar de uma guitarra o som do mundo no espaço. Porém, nada foi espontâneo e o único instrumento em palco, para além dos dois laptops, foi um piano.

Supõe-se que num espaço menos formal e amplo, a música dos Dead Texan possa provocar mais sensações que não o torpor anestesiante (próprio das coisas belas, é certo). No Passos Manuel, às vezes, parecia mais que estávamos a assistir à projecção de uma curta de um finalista de Belas-Artes do que a um concerto.

Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com
15/01/2005