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Mallu Magalhães
Centro Cultural de Belém, Lisboa
27-/01/2014


Sucesso precoce no Brasil, Mallu Magalhães demorou até conquistar Portugal, mas conseguiu-o finalmente: esgotou duas grandes salas em Lisboa e no Porto, respectivamente CCB e Casa da Música. Actualmente a residir em Lisboa, a cantora reuniu uma banda constituída por músicos portugueses para a acompanhar ao vivo nestes dois espectáculos.

O concerto arrancou com “Cena”, com a voz de Mallu a expor ao vivo a sua candura e fragilidade, a um passo do desafino - e tudo faz parte do encanto. O concerto assentou no disco Pitanga (disco editado já em 2011) e, apesar de os músicos terem sido recrutados localmente, o quarteto instrumental conseguiu replicar de forma certeira as gravações de estúdio. A actuação foi passando por temas do referido disco - “Youhuhu”, “Ô, Ana” e “In the morning”.

A acompanhar Mallu estavam Alexandre Bernardo (guitarra), Martim (baixo eléctrico) e Fred Ferreira (bateria). Mas a estrela da noite foi Diogo Duque, no trompete (e sobretudo fliscorne), a realçar as melodias. Estando a dar mostras de ser um dos mais seguros valores da novíssima geração do jazz português, Duque mostrou no CCB também um grande à vontade noutros mundos sonoros, conseguindo até sobressair em momentos a solo.

 © Alexandre Antunes

Após um arranque aceso, que conquistou rapidamente o público, o grupo abandonou temporariamente a vocalista, que ficou sozinha em palco ao longo de meia dúzia de temas, onde se incluíram três inéditos. Mallu é uma mini-diva, que disfarça na sua descontração quase-juvenil a qualidade das composições, que têm uma irrepreensível eficácia. Combinando doçura e modernidade, sem ignorar a tradição da MPB, as canções de Mallu Magalhães seduzem sem insistir.

Regressado ao palco, o grupo português ajudou a atacar, já no final, alguns temas numa versão mais rock. Não faltou o obrigatório hit “Velha e Louca” e o alinhamento oficial fechou com “Higly sensistive”. Mallu regressou para um encore de três temas, uma surpresa que a própria desvendou ainda antes do final. O encore confirmou-se mesmo – arrancou com um “Cais” pendurado no piano trémulo, passou por “Hold On Tomato” e a noite foi definitivamente encerrada com o obrigatório “Sambinha Bom”. Essa moça tá diferente.

Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
29/01/2014