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Com Truise / Dreams / The Festmen
Maus Hábitos, Porto
27/11/2011


Domingo, final da tarde. Levantar do sofá e preparar para levar com os beats de Com Truise na cabeça. Seth Haley, com um baterista (que soube sempre sublinhar as batidas do seu mestre), deu ao Maus Hábitos – e a todos os presentes – um final de domingo melhor. A música de Com Truise, apesar de ter nascido em tempos de chillwave – e associada a este – consegue ser muito mais do que isso na sua complexidade e personalidade. Pode parecer engano mas, apesar de não ser propriamente revolucionária, a música de Com Truise tem particularidades muito próprias. De tal forma que se tornaria difícil não reconhecer todos aqueles sintetizadores e batidas gordas mesmo depois de acordados da maior das anestesias médicas.

Apesar da dificuldade do formato deste tipo de projectos, Com Truise, muito por culpa do baterista que garantiu sempre que as batidas tivessem reforço extra, transpôs as canções do bastante apreciável Galactic Melt, editado este mesmo ano pela Ghostly International, com interesse e pujança – do início ao fim. É verdade que nem tudo nesse disco brilha como ouro mas mesmo essas canções menores, ao vivo e a cores, ganharam um fulgor especial. Feitas as contas, foi uma bela estreia de Com Truise em território português. Resta perceber que pode Seth Haley fazer daqui em diante com a matéria-prima que soube encontrar.

Se na primeira parte The Festmen assaltou o Maus Hábitos com uma divertida colheita de Chungwave, na segunda o projecto portuense Dreams, liderado por João Chaves, continuou a rodar o seu cancioneiro chillwaveriano em modo full band - e com sucesso., diga-se. Deste Dreams espera-se que chegue finalmente um disco de estreia para ver se tudo aquilo que é cozinhado ao vivo encontra espelho justo quando impresso num registo para ouvir lá por casa ou nos phones.

André Gomes
andregomes@bodyspace.net
03/12/2011