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Jane Birkin
Centro Cultural de Belém, Lisboa
08/10/2009


O fundo do palco é escuro. Apenas meia dúzia de luzes simples iluminam o cenário. A banda entra, quarteto instrumental: Nicolas Dubosc (guitarras, ukelele), Frederic Maggi (piano, teclados), Dominique Pinto (violoncelo) e Ilan Abou (contrabaixo). A diva chega, finalmente: traje masculino, fato cinzento e camisa branca, mangas arregaçadas, camisa aberta em dois botões, gravata desapertada, colete desarranjado. E um sorriso bonito, enorme, sincero. A elegância faz-se destas coisas. O modelito foi trazido de Nova Iorque, pela filha Lou. O sorriso, sedutor, é eterno. E o concerto arranca com a interpretação de “L’Anamour”.

Todo o espectáculo é naturalmente ensombrado pelo espírito de Serge Gainsbourg, com quem Jane Birkin viveu, com quem partilhou canções. Mas agora os temas são dela e é Jane que, apesar da voz frágil, domina o concerto todo, é a sua simpatia que conquista facilmente o público do grande auditório do CCB. “Ex-fan des Sixties”, “Ford Mustang”, “Pauvre Lola” ou “Sous le Soleil Exactement” são apenas alguns dos temas com que a diva vai encantando o auditório. E o auditório merecia estar mais composto para a ocasião, já que apenas estariam preenchidos dois terços da sala.

Pelo meio há espaço para uma sentida dedicatória política, com a denúncia da situação da birmanesa Aung San Suu Kyi e uma música dedicada à Nobel da Paz 1991. O momento mais emotivo acontece contudo quando Jane Birkin canta “Yesterday Yes a Day”. Acompanhada por um guarda-chuva feito de luzinhas, a musa atravessa a plateia do CCB, aproximando-se dos comuns mortais que vão ficando boquiabertos à sua passagem. E durante esse passeio Jane até faz uma visita surpresa a um camarote sortudo (Joana e Dário, invejo-vos tanto).

As despedidas chegam com “Comment te dire adieu”, mas o concerto haveria ainda de contar com um encore muito pedido. Os 62 anos da senhora estão bem disfarçados e a diva dos 60’s distribui uma simpatia extrema, abusa da comunicação com o público, conta histórias e no final enumera uma divertida lista de agradecimentos que nunca mais acaba (que inclui o hotel e pastéis de Belém). Ela é uma das mais belas mulheres de sempre e continua a espalhar charme e a conquistar corações. E pelo meio vai cantando umas cantigas.

Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
09/10/2009