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es.canção #3 - "Eu quero ser o que tu quiseres", Benjamim





Era uma noite de festa, a rapariga lembra-se de subir uma longa escada em caracol. Veio-lhe à cabeça Vertigo e nesse instante levou as mãos ao cabelo como se fosse Kim Novak ... (numa noite de festa podemos repetir a vida as vezes que quisermos...).

Quando o baile começou, um rapaz lançou-se nos braços dela. Ele disse-lhe como se chamava e ela ficou perdida entre a letra da canção e o abecedário com que o nome dele se fez. (Seria vogal se fosse uma assembleia, mas era uma festa).
Ela dançou com ele, depois libertou-se dos braços mas não da memória e aos poucos voltou a compor-lhe o nome. Chamava-se João.
Nunca mais o viu.
Quando ela pôs fim à festa (as festas acabam quando nós decidimos e não pelo relógio universal das madrugadas), desceu as escadas em caracol que nunca mais terminavam. Pôs as mãos na testa, o cabelo já não importava.
Talvez tenha sido logo na noite a seguir que se falaram. As pessoas aprenderam a falar à distância e poem-se em campo muito rapidamente...
Em todas as noites que se seguiram à festa, falaram. Inventaram até um número para cada quarto como se habitassem num hotel diferente em cidades distantes.
Foi quase tudo verdade.
Uma manhã ela recebeu um livro dele que dizia "para a rapariga que quer amar pelo canto do olho".
Então, ela atirou a cabeça pra trás e pôs-se a sonhar.


Inês Maria Meneses
13/05/2015