Frivolous / Jan Jelinek - Festival Electrónica em Abril 2006
La Casa Encendida, Madrid
23 Abr 2006

No √ļltimo dia do Festival Electr√≥nica em Abril duas propostas de diferentes abordagens, elementos e reconhecimento. Mais uma casa cheia para receber em primeiro lugar Frivolous, o projecto do canadiano Daniel Gardner que recebeu o apoio de selos como Karloff e Background. Com ar de calmeir√£o, vestia uma camisola onde se podia ler Wevie Stonder. Pouco depois de entrar j√° estavam em cena as batidas que n√£o haviam de abandonar as colunas at√© ao final da actua√ß√£o. Instalado numa mesa decorada com uma jarra cheia de rosas vermelhas, Daniel Gardner foi emprestando a sua voz aos temas atrav√©s de um telefone vermelho (com fio da mesma cor), usa uma esp√©cie de faca que produz um efeito bizarro, uma garrafa de √°gua para gerar batidas e uma lata com sabe-se l√° o qu√™ para adicionar ru√≠do posteriormente filtrado por efeitos cuidadosamente seleccionados.

Jan Jelinek © Angela Costa

Mas na actua√ß√£o por vezes curiosa, Daniel Gardner tamb√©m foi tomando conta de uns teclados que n√£o raras vezes faziam lembrar os franceses St. Germain, ou seja, algo que j√° n√£o surpreende ningu√©m h√° muito tempo. De resto, indo directamente ao assunto, a actua√ß√£o de Frivolous, apesar de ter posto a maior parte dos presentes a dan√ßar, revelou-se uma sess√£o de techno f√°cil e de pouca subst√Ęncia, algo que se tornou √≥bvio depois de vinte minutos de desempenho. Teve o m√©rito de animar as hostes, mas isso nem sempre √© suficiente ‚Äď muito menos quando h√° quem consiga faz√™-lo mostrando interesse e arrojo.

E agora algo completamente diferente, a actua√ß√£o de Jan Jelinek, depois da passagem por Portugal, mas n√£o esteve sozinho. Esteve acompanhando ‚Äď e bem - pelo multi-instrumentalista Andrew Pekler (que assumiu fun√ß√Ķes na guitarra) e Hanno Leichtmann na bateria. Os tr√™s comprometiam-se a recriar os temas de Kosmischer Pitch - o √ļltimo disco assinado por Jan Jelinek e com o selo da ~scape -, um disco onde o alem√£o segue pelas vias do krautrock e dos drones. Com efeito, os temas apresentados na actua√ß√£o viveram da electr√≥nica como base mas tamb√©m do apoio da guitarra e da bateria na cria√ß√£o de temas apostados na repeti√ß√£o e na constru√ß√£o de crescendos que, regra geral, conduziam a momentos de algum caos sonoro de elevado volume ‚Äď e aqui a bateria assumia muitas vezes o principal papel de motor.

E como, na sua maioria, a actua√ß√£o n√£o teve muitas varia√ß√Ķes, apenas h√° a referia o maior ou menor papel atribu√≠do em certas alturas a cada um dos elementos; ora era a electr√≥nica que surgia em primeiro plano, ora era a bateria. A guitarra de Andrew Pekler poucas vezes se chegou √† frente em termos sonoros. Apesar de menos celebrado do que o concerto anterior (e por raz√Ķes √≥bvias), a actua√ß√£o de Jan Jelinek e companheiros mostrou ser muito mais substancial, democraticamente informada e capaz de provocar eleva√ß√£o. E porque o futuro √© deliciosamente incerto, est√£o desde j√° abertas as apostas para a poll que antecipe a pr√≥xima direc√ß√£o a seguir pelo autor de Kosmischer Pitch.

· 23 Abr 2006 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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