Manuel d’Oliveira
CCB, Lisboa
25 Mai 2007
Com dois discos na bagagem, o guitarrista vimaranense apresentou-se no Pequeno Auditório do CCB com o seu grupo Mediterrâneo. Perante uma plateia bem preenchida, onde se destacava o mestre António Chaínho, Oliveira soube agarrar a ocasião e justificou porque já é considerado um dos mais notáveis guitarristas nacionais. A música registada nos álbuns Ibéria e Amarte deu o mote e para a abertura do espectáculo foi escolhido um tema que está presente em ambos os discos: “Praça de Santiago”.

© Márcia Lessa

Oliveira fez-se acompanhar por um grupo competente, com destaque para os solistas Paulo Barros (piano) e David Leão (flauta transversal), para além de uma secção rítmica eficaz com Zecas (baixo acústico) e Mário Gonçalves (bateria). Os temas foram apresentados dando espaço para o guitarrista exibir a sua grande técnica, mas usando quase sempre as possibilidades de interacção com o grupo. As prestações do piano e flauta, para além de sublinharem as linhas melódicas dos temas, também forneceram contributos individuais importantes.

© Márcia Lessa

Um dos momentos mais altos da noite foi a interpretação a solo de “Nicolinas”, outro dos temas que fazem a imagem de marca do guitarrista (e, tal como em “Praça de Santiago”, outra referência à sua cidade de Guimarães). No final o flautista David Leão surpreendeu ao executar o último tema na gaita-de-foles. Misto de tradição popular portuguesa, flamenco e música celta – reunida numa sombra jazzística - a música de Manuel d’Oliveira revelou-se ao vivo dinâmica e afável. Depois de vários espectáculos internacionais e de uma recente passagem pelo México, este espectáculo no CCB foi mais um passo importante na ascendente carreira do guitarrista português.
· 25 Mai 2007 · 08:00 ·
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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