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Bacanal Intruder Lulo

2006
Eglantine


A belíssima inspiradora região das Astúrias (terra da fabada e da sidra) é o local onde opera o jovem músico Luis Solís. Depois de alguns lançamentos em CD-R e em netlabels (inclusive na portuguesa Test Tube), o asturiano arregaçou as mangas e escreveu um disco editado fora de Espanha na francesa Eglantine – o seu primeiro em CD. Decidiu chamar-lhe Lulo e não deu grandes explicações acerca do motivo. Tal como a capa do disco parece indicar, Luis Solís é homem de música gentil. Gosta de se rodear de piano e teclados vários, melódica, glockenspiel, harmónica, guitarra espanhola, contrabaixo e, talvez o mais importante, do seu computador (além de alguns convidados) e gosta de criar paisagens delicadas e na maior parte das vezes de grande beleza.

O seu território é aquele em que a electrónica e os sons acústicos se cruzam. Terreno fértil onde penetram vozes (femininas, “Soon for weekend” é bom exemplo disso), e outras minudências que enriquecem ainda mais a pintura. Descansa aqui nestas canções uma boa porção de inocência suficientemente ágil para se revelar bela e não inconsequente. Folk que quer ser electrónica, electrónica que quer ser folk ou simplesmente folktrónica. Intimista e com medo de sair da toca, canções que querem (e por vezes merecem) ser tratadas como tesouros. Não existe sobreposição de elementos mas sim coesão – nem todos o conseguem. Este disco, melhor do que nunca, recria o quarto de sons que pertence a Luis Solís e que agora pode pertencer a quem se identifique com ele.


André Gomes
andregomes@bodyspace.net
23/04/2007