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Timbaland Timbaland Presents Shock Value

2007
Interscope


É difícil não imaginar Timbaland sentado diante de um ecrã, com a sua colecção de sintetizadores a interceptarem-se no dito, quais mísseis teleguiados de um qualquer jogo de computador, e a seguirem cada um a sua rota após os fugazes encontros. Timbaland é, acima de tudo, um produtor, e como resultado disso, é à produção propriamente dita que deveria caber o principal destaque deste seu regresso com Presents Shock Value, surgido no ano pós-mega sucessos de Nelly Furtado e Justin Timberlake.

Há convidados em 16 das 17 músicas, o que não surpreende. Timbaland não tem capacidade vocal ou lírica para encher um disco desta dimensão. O que há a questionar são algumas das suas escolhas. A pop de Timbaland serve precisamente para que aqueles que a ela aderem terem uma alternativa a uns She Wants Revenge ou Fall Out Boy. Sendo assim, ao ver estes nomes na dita lista de convidados, o desânimo vence. E ao ouvir as faixas, adensa-se ainda mais. Os SWR continuam a ser os Joy Division desprovidos de medula óssea e vasos capilares, enquanto os Fall Out Boy têm apenas que trabalhar sobre um beat muito simples, o que lhes permite cantar o seu pop-punk decrépito por cima. A segunda metade de “Shock Value” sofre, aliás, de variadas deformações. R&B formulaico como “Miscommunication”, rap-rock parolo com os The Hives em “Throw It On Me”, a habitual faixa de tom indiano feita sem qualquer esforço, lembrando que Timbaland já fez isto muito melhor. A voz e melodia ultra-melosas de “Apologize”, com os “One Republic” com piano a lembrar as faixas tristes das bandas rock FM.

Quem quiser procurar o bom lado de Timbaland é favor procurar as seis primeiras faixas. “Give It To Me”, com os aliados Furtado e Timberlake é de um calor húmido e perfeita para discotecas no seu tom quase ameaçador. A escorreita “Release” com percussão metálica, sintetizadores de acompanhamento e guitarra funky, ou “Bounce”, com excelentes performances de Dr. Dre e Missy Elliott, pelo meio de beats e guitarras eléctricas ofegantes. Cria-se a expectativa de um grande disco que acaba por não surgir. Timbaland continuará a ser produtor requisitado, e vistas as coisas por este prisma, talvez queira deixar a sua criatividade para outras colaborações, dando asas apenas ao seu desejo de festa em comum em Presents Shock Value. O problema é ficar até ao fim da festa. Que dias melhores venham.


Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com
16/04/2007