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Death From Above 1979 You're a Woman, I'm a Machine

2004
Last Gang


Apesar de partilharem uma formação em tudo similar aos Lightning Bolt (um baixo, uma bateria), o duo Death From Above 1979 é de Toronto e pertencente a um mundo musical distante do do duo de Providence. Mas isso não faz propriamente de Sebastien Grainger e Jesse Keeler uns meninos, pois You're a Woman, I'm a Machine é um disco suado, violento, extremamente físico e capaz de derramar sangue no chão, no moshpit ou – quem sabe – na pista de dança. Sim, porque You're a Woman, I'm a Machine é disco para a menina, para o menino, para o fã do metal, para o fã do punk, para o fã o pós-punk mais atirado para a dança. Mais, porque apesar de se fazer apenas de baixo, bateria, voz e alguns pequenos e raros apontamentos nos teclados, You're a Woman, I'm a Machine é surpreendentemente variado e diverso. Não se pode dizer que seja uma caixinha de surpresas, mas aguenta bem teimosas audições.

Talvez seja um disco de raiva, em raiva. Talvez seja um disco suado e bem suado em resposta à DFA Records – a editora de James Murphy que obrigou o duo canadiano a mudar de nome. Talvez seja aquilo que muitas das bandas pares dos Death From Above 1979 estejam a tentar cozinhar num estúdio ou numa garagem qualquer. Mas é melhor que optem pela segunda opção, pois este You're a Woman, I'm a Machine é disco sujo, trashy, é disco maroto, e por isso não precisa de grandes pormenores técnicos para se fazer valer. Precisa é de riffs com peso de toneladas, ganchos machões e de canções cada vez mais velozes e furiosas. Basta uma olhadela pelos títulos das canções para perceber que misturar “romance”, “guerra fria”, “resultados sensuais” e “sangue” não é coisa fácil, mas se alguém o tem mesmo de fazer que seja rápido. E foi o que aqui se fez: You're a Woman, I'm a Machine só ultrapassa a meia hora por cinco minutos e um segundo. Concentrado, urgente, coerente, premente.

Fica-lhes bem então as rajadas metal de “Turn it Out”, o baixo cano de escape de “Romantic Rights”, o romantismo bizarro, lamechão e entre família de “Going Steady” ("I have never seen you suffer / I will never hurt you, lover"), a euforia quase adolescente de “Blood on our Hands” e a acalmia de “Black History Month”, momento perfeito para um jogo de sempre bem-vindas palminhas e até para um crescendo final em forma de construção de uma muralha de som. Mas descrever canção por canção é um exercício demasiado redutor para um disco que se quer ouvido do início ao fim, sem saltar qualquer uma das faixas. O que não se pode ignorar igualmente é que a capa do disco parece mostrar Bruce Lee e John Bonham com trombas de elefante e de costas voltadas. E todos sabemos como ambos davam porrada.


André Gomes
andregomes@bodyspace.net
13/08/2005