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Psychic Ills One Track Mind

2013
Sacred Bones


O costume: uma auto-estrada enorme e um sol forte e despreocupado a bater-nos na cara enquanto a rádio transmite uma multitude de cores vivas ao ritmo dos pneus. Ah, se ao menos houvera outra forma de descrever o estado em que o psych nos coloca... mas, percebam: estas são palavras de alguém cuja vida de viagens de resume aos vinte metros que distam o rés-do-chão caseiro ao ecoponto amarelo. De alguém cuja ideia de aventura é meter menos gasosa no panaché. De alguém que começa a ficar sem adjectivos de jeito. AS BRANCAS (E A BRANCA) SÃO COISAS TERRÍVEIS, MEUS CAROS

Mas falemos dos Psychic Ills. One Track Mind é o segundo disco da banda com o selo da Sacred Bones, após o bonito Hazed Dream em 2011 e as primeiras experiências na Social Registry com Dins e Mirror Eye. Desde então que os Psychic Ills parecem mais preocupados em fazer canções com cabeça, tronco, membros e ácido todo à volta do que a limitarem-se à ocasional preguiça da jam; o trabalho realizado em One Track Mind é bom, é triplamente espacial (eheh), e é tão facilmente cantarolável que já há gente que anteriormente venerava o Sensation White a descobrir a maravilha do psicadélico.

Portanto, malhas a reter: "One More Time", o sonho opiáceo de "Might Take A While", a sensibilidade minimal de "FBI" e "City Sun", apenas e só por mencionar essa estrela maravilhosa e fonte de energia e de calor ainda melhor. One Track Mind cumpre o seu propósito: deixa-nos a pensar numa única coisa, que é o verão que tarda em aparecer. Por enquanto há que senti-lo nestes riffs e neste groove roubado aos hippies alemães que viraram o mundo ao avesso nos anos setenta. Os mais revoltados podem fazer aqui uma qualquer piada política.


Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
08/04/2013