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The XX Coexist

2012
Young Turks


Os XX gozam dum estatuto de impermeabilidade notável – são os tipos sensíveis que resgatam os Young Marble Giants para as tendências do século XXI, movidos pelos beats duma qualquer Akai MPC, fazendo das vozes sussurradas e das linhas simples de guitarra os principais argumentos da sua sonoridade. Esperávamos que, à segunda, o trio londrino tivesse optado por outra coisa qualquer. Porque Coexist, tal como está, não passa dum deja vú versão club do disco homónimo de estreia. XXatice pegada, está visto.

Ao ouvirmos “Chained”, o single que primeiro nos permitiu vislumbrar Coexist, percebemos, porque isto não é de agora, que os XX gostam de ficar com coisas por dizer, musicalmente, como se os seus originais mais não fossem do que óptima matéria prima para remixes – basta escutar Crystalized, do primeiro álbum, remisturada por Rory Phillips. As ideias até parecem emergir, há uma certa dose de chill no crescendo da batida mas não é mais que isso. É como uma rotunda sem saídas, redundante e desinspirada. E o notório esforço em apresentar malhas ritmicamente mais preenchidas, como “Fiction” ou “Reunion” – esta última é seguramente uma das faixas que mais se destaca no disco, com uma melodia que traz à memória a graciosa linha de “Bombay”, dos El Guincho.

Mas para lá de breves fogachos que porventura valerão a vossa atenção, parece-me que a fórmula dos XX está esgotada, pouco cativante e, já o dissemos, chatinha. Mas nem por isso o talento de muitas vezes optarem por menos ao invés de mais deve ser desperdiçado. Esperemos é que de forma diferente.
Alguém lhes pregue um cagaço, sei lá!


Simão Martins
simaopmartins@gmail.com
24/09/2012