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BnP Welcome To Mediocrity

2012


N√£o h√° que neg√°-lo: todos somos med√≠ocres. Nascemos med√≠ocres, vivemos uma exist√™ncia med√≠ocre, morremos e atribuem-nos um t√ļmulo med√≠ocre, onde seremos reduzidos a um med√≠ocre monte de p√≥. E n√£o, o dinheiro, a fama, a intelig√™ncia, a fam√≠lia nada t√™m a ver com isto: todas essas coisas, e as restantes, s√£o meras distrac√ß√Ķes da mis√©ria que √© ser obrigado a andar sobre duas pernas quando o que mais queremos √© rebolar na lama como um med√≠ocre porco. √Č assim que h√° que encarar Welcome To Mediocrity; como dezasseis minutos do desejo humano em n√£o querer ser humano. Adicionem-lhe revolta punk, cerveja e filmes de terror e est√° feito um bel√≠ssimo disco.

...Que saiu, estranhamente, de um pa√≠s onde √† partida n√£o se julgaria haver infelicidade - mas o que √© isso do √ćndice de Desenvolvimento Humano sen√£o um monte de n√ļmeros calculado por gente med√≠ocre, h√£? Da Nova Zel√Ęndia, os BnP (Bits N' Pieces, e n√£o British National Party, os mais med√≠ocres entre os med√≠ocres) oferecem ao mundo punk √† antiga, e quando se diz "oferecem" √© literalmente "oferecem", porque o disco est√° dispon√≠vel no Bandcamp, e "punk √† antiga √© ouvi-lo e pensar, por exemplo, nos Black Flag ou nos Cockney Rejects quando "Hurry Up Harry!" incita √† mediocridade da bebedeira no final.

Entre humor parvo e frases que todos nós sonhamos concretizar um dia (I JUST GOTTA KILL SOME PEOPLE, logo a abrir), Welcome To Mediocrity é um álbum com oito boas malhas destinadas a mandar foder o mundo. Porque também não há porque ficar deprimido com isto: que interessa se se é medíocre? Sê-lo é ter carta branca para fazer o que nos der na real gana, que é a melhor forma de fugir à mediocridade. Tudo a tirar a roupa e a rebolar na lama. Proud to be average.


Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
05/03/2012