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The Astroboy The Chromium Fence

2011
PAD


Ao entrar – e já agora ao sair – do novo disco de Astroboy, o projecto do bracarense e peixe : avião Luís Fernandes, apetece dizer, como naquele filme a que fazem referência nos melhores documentários sobre os Beatles, e na língua de Shakespeare, “We all missed you. We missed The Astroboy”. Ou algo parecido, se a memória não falha aqui e agora. É de saudar um regresso como estes, sobretudo vindo de um músico que parece conseguir dividir-se entre os vários mundos que a música possibilita sem que isso pareça um sacrilégio.

Lançado pela recém-nascida PAD (que inaugura com este disco e que muito promete), editora do próprio e dos restantes membros da banda de braga, The Chromium Fence, editado em cassete aliada ao formato digital, a pecar por alguma coisa só será pela sua curta duração – e pela duração curta de alguns dos seus temas. Concretizando: logo a abrir, “Coordination sphere”, por exemplo, é tão interessante que merecia o dobro do tempo – ou, quem sabe, na boa tradição do prog-rock, um take dois ou três.

Complexos, cuidadosamente construídos, os oito temas de The Chromium Fence são uma homenagem aos Tangerine Dream e a outros exploradores do krautrock, à electrónica com traços paisagísticos – ei, é um elogio – e futuristas (há neste disco um piscar de olho à ficção científica), à música minimamente exploratória. Temas como “Glow” ou “Electric sheep” exploram cores habitualmente semelhantes mas são sempre suficientemente ricos nas texturas e nos caminhos escolhidos para que o interesse continue a subir segundo após segundo. Só esperamos que este Astroboy seja menos poupado nos minutos aquando da sua próxima aparição.


André Gomes
andregomes@bodyspace.net
01/04/2011