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Evols Evols

2010


Vila do Conde tem mais um motivo de orgulho para além dos conhecidos. Eis que das "cinzas" dos Bildmeister (que estarão num hiato até um certo dia), Carlos Lobo, França Gomes e Nuno Santos ergueram um novo projecto em que, mais do que nunca, abraçam o shoegaze como parceiro mais próximo, arma de arremesso mais à mão na altura de construir canções. E ainda bem. Mas felizmente não se ficam por aí, não tivesse esse ensejo – ou a teimosia do mesmo – atirado para fora do barco uma data de bandas que decidiram explorar os mesmos territórios bravios para além das possibilidades do mesmo.

Evols, para a surpresa de muitos (considerando experiências antigas, projectos a solo), é um disco de canções. Assim com “C” grande. Um disco de canções enterradas em pedais de delay e reverb – entre outros trezentos efeitos propulsores do som dos Evols. Mas apesar de serem fiéis à disciplina do shoegaze, os Evols tiveram boas notas em muitas outras disciplinas do curso e isso permite que este disco de estreia não se esgote nunca na falta de fundamentos e ideias. Não era fácil consegui-lo mas os Evols conseguiram. E a validade das canções que escrevem saltam à vista por entre as paredes de som shoegazianas.

Evols é uma construção continua, um inesgotável feixe de luz que se organiza a cada momento, recolhendo bons argumentos para que esta visita se prolongue no tempo e no espaço ainda que este conjunto de canções anule, durante algum tempo, a própria ideia de espaço e de tempo. Uma canção como a belíssima “White” transcende esses conceitos e até mesmo as barreiras do shoegaze, para ser algo mais do que isso; para ser uma canção que, como outros neste disco de estreia, colhe tudo o que pode alcançar na vontade de ser mais do que aquilo que é.


André Gomes
andregomes@bodyspace.net
26/01/2011