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Marianne Faithfull Easy Come Easy Go

2008
naive / Popstock


Alguém lhe chamou a Hellen Mirren do rock n’ roll e com razão: Marianne é uma senhora actriz de sentimentos. Um rosto doce marcado por uma beleza cristalina que envelheceu menos do que a voz, instrumento que ela usa cada vez mais longe do cândido pop de sessentas e cada vez mais perto de pop bruxaria.

E é uma bruxa rouca, velha, sabida, Brecht-Weilliana que traz magia a versões de músicas de proveniências tão díspares como Dolly Parton, Bessie Smith, Duke Ellington, Randy Newman, Brian Eno, Decemberists ou Neko Case. Um bruxa que ama cada nota, cada acorde na companhia de feiticeiros como Marc Ribot, Greg Cohen, e Hal Willner, que produziu o álbum. Parceria aliás repetida muitos anos depois de Strange Weather (de 1987). Falando de parcerias e feitiçarias, algumas canções contam com duetos com nomes como Nick Cave, Jarvis Cocker, Rufus Wainwright ou Antony Hegarty. Estes dois últimos podem-se orgulhar de participarem em duas “covers” brilhantes, a inesperada “Children of Stone” dos Espers e “Ooh Baby Baby” de Smokey Robinson, respectivamente. Rufus mais discreto, já Antony como é habitual, a tomar desde logo conta da música mas com a diva de Broken English a aguentar-se na corrida para juntos… “Ooh baby” mesmo, só ouvindo.

De resto Marianne, pena é que o disco não acabe com “How Many Worlds”, maravilhosa versão deste tema de Brian Eno na companhia da voz do filho dos deuses Richard e Linda Thompson, de seu nome Teddy. Preferiste “Sing Me Back Home” do Merle Haggard com o Keith Richards. Sempre a sombra dos Stones algures. Tu lá sabes. Aliás, sabes pouco, sabes.


Nuno Leal
nunleal@gmail.com
10/03/2009