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Topes Ilustres 2017 - João Sarnadas | Coelho Radioactivo
· 11 Jan 2018 · 10:41 ·


TOP CONCERTOS PORTO 2017
 
Pedro Sousa & Gabriel Ferrandini apresentam Má Arte no Passos Manuel
Um concerto completamente acústico no auditório do Passos Manuel, todos saíram de boca aberta e ouvidos cheios. Dois músicos absolutamente exímios na sua aproximação ao instrumento, refinando a cada concerto a sua linguagem. Aproveito também para mencionar o disco lançado nesse dia pela Favela Discos, “Má Arte” gravado também ao vivo num concerto em Aveiro, na Galeria Má Arte.
 
John Maus + Orquestra da Favela apresenta O Cão Da Morte 
+ Gary War + Vive Les Cônes + Dj Fitz + Afonso Macedo
 
Não se esperava outra coisa de um concerto do John Maus que não um tremor de terra em palco. Foi uma grande noite que eu tive o prazer de promover com a Favela, a convite da Lovers & Lollypops. Não me alongo mais sobre o épico concerto do Maus, que só pecou por não ter tocado a discografia inteira.
 
Nessa noite celebramos também os 10 anos de existência d’O Cão Da Morte (Luís Severo) do qual não posso falar muito porque estava em palco. Mas posso dizer que adorei re-visitar os temas d’O Cão da Morte e celebrar a carreira do meu grande amigo e colega Flamingo.
 
Jonathan Saldanha na P a r v a
O Jonathan Saldanha tem vindo a desenvolver uma linguagem musical muito própria nos seus diversos projectos, dos quais podemos realçar os HHY & The Macumbas. Infelizmente não tive a oportunidade de ver o “Poço”, peça desenvolvida para o festival Dias de Dança, que pelo que percebi terá sido um projecto incrivelmente arrojado, com vários intérpretes e uma cenografia bruta. No entanto tive a oportunidade de ver a sua “Afasia Táctica” na Culturgest Porto, e um concerto a solo na P a r v a . A segunda mencionada, foi a mais recente oportunidade para o apanhar a solo atrás da mesa de mistura, e foi  como sempre uma experiência singular. Um fluxo que cambaleou entre o som contínuo e a pancada extrema, aproveitando para espicaçar a ditadura do quatro por quatro na música electrónica. 
 
NU NO no D A M
Em primeiro lugar devo realçar o disco POP SONGS do Nu No, produzido pelo Pedro Centeno com ajuda de vários músicos e artistas da cidade do Porto, é um dos meus discos portugueses preferidos do ano, e merece sem dúvida a vossa audição e atenção. Em concerto as coisas aconteceram caoticamente bem, das atabalhoadas participações do Tomé Duarte e menos atabalhoadas da Rita Braga à presença teatral do Nu No, luva preta numa das mãos, entoando um contínuo poético quase tântrico, ou uma experiência talvez psicadélica.  
 
Alvaro Peña no Café Au Lait
Este concerto foi uma surpresa fantástica, por sugestão do Dj Dealy, chegamos a um Au Lait minimamente composto para ouvir o senhor que é supostamente conhecido como o primeiro punk do Chile, uma cadeira com um pequeno Casio pousado e dois microfones, voz e teclado. Um senhor senta-se e põe o casio ao colo, aponta ligeiramente o microfone para a coluna do teclado e começa a martelar acordes para a frente e para trás. Poderia soar mal mas não, a honestidade na música salva. As suas músicas foram apresentadas numa versão reduzida que para mim funciona melhor que a versão do disco. Para além do ear-worm com que de lá saí “tonteras, tonteras, tonteras, mi vida esta llena de tonteras”, fomos surpreendidos com temas surreais como “Drinking my own sperm” que deixou todos os que se iam apercebendo da letra com olhares surpreendidos (ele disse aquilo mesmo?). 
 
Sinceramente não consigo escrever sobre os seguintes concertos, mais porque já me esgotei nos textos em cima e não sei bem o que dizer sobre os seguintes. Mas para mim têm também de ficar nesta lista.
 
Harmonies no TRC Zigurfest
Tocar com Live Low e apagar um fogo no TRC Zigurfest
Jung An Tagen nas DAMAS
Alex Zang Hungtai + David Maranha + Gabriel Ferrandini no Passos Manuel
 
Certamente que me estarei a esquecer de algo.
 
Não queria falar de discos mas vou simplesmente mencionar alguns que marcaram o meu ano, em primeiro lugar tive o orgulho de participar com Sarnadas e Well na compilação Memories Overlooked, homenagem ao grande Leyland Kirby que também lançou este ano. Os fantásticos discos Screen Memories de John Maus e Dedicated do Bobby Jameson de Ariel Pink trouxeram-me de volta à Pop e soube muito bem ouvir o homónimo, assim como o Pianinho de Luís Severo. Não esquecer também o homónimo de Primeira Dama que eu produzi.
 
Gostaria de acabar esta lista com um desejo para 2018 e os anos que se seguem:
 
É com muita pena que vejo o estado da crítica musical em Portugal. 
Por um lado tenho de dar os meus parabéns às webzines, sites e revistas que tentam lutar contra o estado letárgico da crítica, já que estamos muitas vezes a falar de um esforço amador (de alguém que não o faz por profissão mas por gosto e vontade). Desejo também, a estas entidades, a continuação de um bom trabalho. Que para o ano haja mais pessoas a ir ver concertos, a pensar a música e a falar sobre ela, apoiando assim os artistas e colectivos que aparecem ou continuam a marcar presença um pouco por todo o país. 
 
Por outro lado, acho que não se pode negar uma discrepância entre a oferta musical e a crítica. 
 
É seguro dizer que estamos perante um momento de grande abundância e criatividade musical, em que vemos surgir inúmeros colectivos que seriam demasiados para mencionar sem que me esquecesse de algum. Parece-me então que a crítica não está a acompanhar esse crescimento, que muitas vezes poderia ser feito em união (entre novos músicos e críticos). Numa visão mais negativa poderia até dizer que há um desinteresse aparente da crítica nos novos músicos, ou que o alvo dos artigos muitas vezes peca pela segurança, tornando os artigos insípidos, sem grande valor. Por exemplo, no concerto de John Maus organizado pela Lovers e pela Favela, recebemos pedidos de acreditações por parte de alguma imprensa, que foram obviamente fornecidas. No entanto quando ofereço bilhetes, a essas mesmas entidades, para outros concertos que organizo (por exemplo o recente concerto de Putas Bêbadas no Café Ceuta) nem sequer uma resposta aparentemente mereço.
 
Agora podemos questionar o seguinte:
 
Será que uma review de um concerto de John Maus tem o mesmo valor para nós (público/músicos) que uma review de um concerto de Putas Bêbadas (ou qualquer outra banda portuguesa)? A meu ver a resposta é negativa. Muito resumidamente o John Maus não vai crescer com esta review, nem o público dele, o autor da crítica poderia desenvolver um ensaio à volta das letras muito interessantes de Maus, e há pano para mangas, mas nem isso acontece. Vemos uma crítica insípida em que o autor se queixa que o John Maus não toque um certo êxito, um bocado como quando o pessoal se queixa que os Radiohead não tocam a "Creep", que infelizmente voltou à baila e ao repertório ao vivo da banda… (ah! e apesar de gostar mais da versão do Maus, esse tal êxito nem é uma música original dele, mas sim da Molly Nilsson).
 
Parece-me que seria muito mais interessante e eficiente haver um acompanhamento dos músicos portugueses na crítica. Os músicos podem crescer com as reviews, os críticos podem crescer com as reviews, ganhar referências etc, o público dos músicos pode crescer, o público da crítica pode crescer, ou seja, vemos aqui muito mais pontos positivos. E não me venham dizer que não há público para crítica, que só com os músicos existentes em Portugal já se vende uma pequena edição. Também sugeria que fossem menos a festivais e mais a concertos, ou pelo menos que escrevessem mais sobre os segundos e menos sobre os primeiros, parece-me que podem dar textos mais interessantes… isto é crítica de música ou é de festivais?
 
Já agora gostava também de mencionar o meu apreço pelos pequenos promotores e todos esses tolos que lutam pela existência de um circuito musical por cá. Mais uma vez não vou mencionar nenhum espaço ou promotor, com a certeza de que me esquecerei de alguém, mas acho que quem está atento consegue identificar pelo menos um ou outro. É devido a essas pessoas que alguém como eu consegue ir sobrevivendo à custa da música cá em Portugal. A todos os meus mais sinceros agradecimentos e espero que este ano vos traga sucesso.
 
Também gostaria de mandar o meu respect ao Gato Mariano que é a meu ver o crítico de música mais interessante em Portugal.
João Sarnadas
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