Acid Mothers Temple
Musicbox, Lisboa
03- Out 2018
A sala vai-se enchendo progressivamente, minutos antes do concerto, um misto entre juventude e veteranos do rock n' roll. O caso não é para menos: trata-se dos Acid Mothers Temple, colectivo nascido em 1995 que percorre, aos saltos, essa linha que vai desde a modernidade até aos velhos tempos do psicadelismo comunitário, tendo lançado dúzias de discos e dado milhentos concertos por esse mundo fora. A figura maior é o seu fundador: Kawabata Makoto, guitarrista com especial apetência pelo noise e pela fritaria.

É sobretudo esta última característica que se abate sobre o Musicbox, em noite de calor. Makoto e seus quatro discípulos juntam-se em palco e arrancam, de imediato, com uma fabulosa torrente de ruído, como que querendo dizer: isto não é para meninos. Não vale a pena colocar tampões nos ouvidos: o noise encontrar-te-á e possuir-te-á. Não tens escapatória possível. É melhor estares preparado. Ruído que depois se transforma em riff, e em ritmo, e em groove, e num psicadelismo ácido que une todas as subculturas aqui presentes, de punks a metaleiros, num enorme sonho hippie.

Segue-se um doom lento, ou não fossem os Black Sabbath uma das influências de Makoto. E, depois disso, um tema gingão, meio funk na sua abordagem, que só motivou este comentário por parte de um mongolóide mesmo em frente ao palco, gritado a um microfone roubado: «dancem, caralho!», como se fosse imperativo fazê-lo. Um solo de bateria que soou a uma chuva de gravilha em pedras de calçada, um tema que levou o conceito de "repetição" ao extremo e uma cantilena xamânica também foram escutados antes do final freak out, com Makoto erguendo bem alto a sua guitarra, simultaneamente agradecimento e oferenda. Ver os Acid Mothers Temple dá-nos exactamente essa sensação - a de que estamos dentro de um templo, de que somos parte integral de uma enorme comunidade religiosa chamada rock n' roll. Ámen.
· 04 Out 2018 · 16:00 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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