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Britta Persson
Ossos de qualidade


Britta Persson é uma escritora de canções da Suécia que acha que devia ser mais velha do que aquilo que realmente é. Depois de um ano algo caótico gravou Top Quality Bones And a Little Terrorist na sequência das suas aprendizagens mais recentes. "Winter Tour" e "This Spring", os dois primeiros temas deste disco, são alguns dos temas mais fortes do álbum editado em Agosto de 2006 pela Bonnier Amigo. Revelam uma voz e arranjos com força suficiente para ficarem no ouvido. Logo de seguida, "Low or Wine" é simples mas eficaz. "Bellamy Straat Straat" é curta mas deliciosa. As canções fazem-se de matizes distintas independentemente do final que almejam. É um disco recatado mas não fechado em si mesmo. O mesmo se poderá dizer da sua autora. Em entrevista ao Bodyspace, Britta Persson adianta um pouco mais do mundo que a rodeia; fala do seu disco, dos concertos e da Suécia. Com muita simplicidade.
Não existe muita informação acerca da tua vida musical antes do lançamento do disco Top Quality Bones And a Little Terrorist. Como contarias a história brevemente?

A história é que eu fiz uma demo para dar às pessoas que me perguntavam como é que a minha música soava. Eu estava a cantar com o artista sueco Kristofer Åström na altura. As coisas descontrolaram-se um pouco e vendi duas mil cópias – isto foi antes da era Myspace.

Disseste algures que o ano que passou, 2006, foi um pouco caótico e que muitas vezes deste contigo a desejar que fosses mais velha. O que é que achas (e esperas) que a idade te vai trazer?

Paz de espírito?

O que é que o titulo Top Quality Bones And a Little Terrorist significa? É por acaso uma denominação autobiográfica?

Posso apenas dizer que achei que assentava muito bem. Não é a soma de nada e não é uma apresentação. Fiz recentemente uma canção chamada “And a Diamond" que é uma continuação.

Tanto quanto sei apanhaste um comboio para algures e gravaste este disco com alguns músicos. Como foram esses dias? No teu myspace pareces ter imagens muito confortáveis desses tempos…

Eu sei de que fotos falas mas não é essa a sessão.

Falava mesmo de imagens mentais…

O tempo em que gravamos o álbum foi ainda mais confortável! Estávamos numa cabana e tínhamos tudo aquilo que queríamos – ler dois microfones e um pouco de vinho. Não sabíamos muito acerca de gravações mas de certa forma acabou por ficar tudo óptimo.

Disseste que este disco soava antiquado e nórdico e também a Madonna, Fleetwood Mac, Low, Natasha Bedingfield, mas lo fi. Isto soa tudo um pouco arriscado, ou não? Como é que conseguíste balançar todas estas influências?

Não foram todas influências mas nomes que eu me lembrei quando eu descrevi o disco quando estava para ser lançado na Suécia. Eu gosto muito de Fleetwood Mac no entanto.

Quais são então as tuas maiores influências que ficaram fora deste disco, falando em termos sonoros? Quais são os teus discos dos primeiros dias de descoberta musical?

Que ficaram de fora? Queres dizer aquelas que não se podem ouvir?

Sim, essas…

Nenhumas, creio eu. O meu primeiro disco de sempre foi provavelmente algo com os Roxette e um ano depois os Nirvana.

Quais são na tua opinião os melhores nomes da cena musical sueca do momento? Quais são os melhores valores do país onde vives?

The Knife, Laakso, the Tough Alliance, Dungen, Don't be a Stranger, The Tiny, Montys Loco…

É fácil conseguir-se um concerto na Suécia? É fácil tocar para uma banda ou um projecto?

Não sei quão fácil é conseguir um concerto. Não tem sido um problema para mim, eu era uma constante artista de abertura de concertos até ter lançado Top Quality Bones And a Little Terrorist e agora acabamos uma digressão na fria e escura Suécia. Tem sido óptimo.

Com que frequência tocas ao vivo? Como é que te apresentas nos concertos, em que formato?

Às vezes toco com uma banda inteira e por vezes sou só eu e um baterista. Eu costumava fazer muitos concertos a solo mas eu não consigo fazê-lo. Com os concertos eu aguento-me, o tempo antes e depois é que não. Eu não sou muito boa a estar ali com as pessoas que não conheço, por isso de quando em vez acabava sozinha no backstage com todas aquelas cervejas. Era… deprimente.

Pediste recentemente no teu site a outras pessoas que te ajudassem a escolher um single para Top Quality Bones And a Little Terrorist. Não te conseguias decidir? Qual foi a escolha?

Todas as três alternativas teriam funcionado para mim, por isso pensei que não era realmente a minha obrigação decidir que canção a maior parte das pessoas queriam ouvir na rádio. A escolha das pessoas foi “Winter Tour” como primeiro single e “You Are Not My Boyfriend” como o segundo.

Que tipo de música tens ouvido recentemente?

Neste momento tenho ouvido Midlake, Neil Young, T. Rex, Sandy Denny e os Roches.

Como é viver em Estocolmo? Quais são as melhores coisas e as piores coisas?

A melhor coisa é que Estocolmo tem tanto para oferecer e a pior coisa é que Estocolmo tem tanto para oferecer.


André Gomes
andregomes@bodyspace.net
30/01/2007