ENTREVISTAS
Liima
Dos anos 80 para o futuro
· 20 Mar 2018 · 15:42 ·
Em 2014 os Efterklang pareciam prontos para conquistar o mundo, embalados pelo sucesso encontrado em 2012 com Piramida. O disco, quarto do trio formado por Casper Clausen, Mads Brauer e Rasmus Stolberg, trouxe à trupe dinamarquesa uma salva de elogios da crítica, uma nova vaga de fãs e a confirmação de que estávamos perante um dos mais interessantes projectos da música alternativa dinamarquesa e europeia. No entanto, apesar das vitórias, do hype e das expectativas por um quinto registo de originais que os elevasse ao estatuto de “grandes” da cena indie, algo de estranho aconteceu; deram um The Last Concert, espectáculo cujo título parecia indicar uma despedida, e emergiram meses mais tarde em coligação com o percussionista finlandês Tatu Rönkkö num projecto que acabou por se tornar nos Liima.

A estreia em disco deste novo grupo, ii, deu-se em 2016, tendo sido rapidamente sucedida em 2017 pelo portentoso 1982, álbum que serviu de confirmação de que os Liima vieram para ficar, para desespero de alguns, gáudio de muitos e confusão de quase todos. Passados quase quatro anos desde o início desta “novela”, o Bodyspace foi falar com Casper Clausen, numa conversa sobre como todo este processo de transição se desenrolou, o que faz mexer os Liima, o caminho daqui para a frente, os concertos que o grupo vai dar em Portugal esta semana e como é viver em Lisboa. E, como é óbvio, culinária.
© Rasmus Weng Karlsen
Muita coisa mudou nos últimos anos; os Efterklang fizeram uma “pausa” e os Liima vieram ocupar esse vazio. Como é que tudo se desenrolou?

Bem, o que aconteceu foi que no final de 2014 demos um concerto a que chamámos de The Last Concert, mas, apesar do nome, nunca foi nossa intenção acabar mas sim fazer desse espectáculo uma espécie de “ritual” onde assinalaríamos o fim de uma forma de trabalhar. A ideia era darmos esse concerto na nossa cidade-natal, convidarmos fãs nossos de todos os lados do mundo, chamarmos amigos nossos para tocarem connosco e depois “retirarmo-nos” durante algum tempo, antes de voltarmos com métodos de trabalho diferentes. Mas depois do The Last Concert recebemos um convite para ir para a Finlândia trabalhar num projecto com o Tatu, com quem já tínhamos trabalhado e andado na estrada, e lá fomos nós para uma casa de campo de Verão fazer música para um concerto num festival local. Nessa altura, o projecto chamava-se apenas Efterklang & Tatu Rönkkö, porque afinal de contas eram apenas o mesmo trio de sempre mais o Tatu, mas depois de trabalharmos juntos e darmos o dito concerto, apercebemo-nos que nos sentíamos bastante confortáveis com o facto de termos uma nova forma de fazer música. E o facto de termos o Tatu connosco fez-nos ver que estávamos perante uma “coisa nova”, uma banda diferente, e não apenas um projecto ou uma colaboração esporádica. Com o tempo, essa “coisa nova” começou a tomar forma e acabou por se tornar nos Liima, mas isso não quer dizer que tenhamos acabado enquanto Efterklang; nós os três mantivemo-nos activos desde 2014, mas apenas em coisas esporádicas, como a ópera que fizemos há uns tempos, ou a peça que acabámos recentemente com uma orquestra barroca de Antuérpia. Basicamente, ao fim de 12 anos juntos, os Efterklang deixaram de ser a única coisa em que nós os três nos concentrávamos para serem apenas uma de muitas bandas e projectos paralelos.

Houve alguma mudança drástica na dinâmica do grupo e nos vossos processos criativos com a entrada do Tatu?

Comparando o que veio antes com os Liima, eu diria que agora temos uma forma completamente diferente de compor: juntamo-nos os quatro, quase como se fôssemos putos numa banda de garagem, e trabalhamos colectivamente, sem um único songwriter. Chegamos, montamos os nossos instrumentos e começamos a tocar e a improvisar, gravando tudo. Depois ouvimos o que tocámos, escolhemos as partes que nos parecem mais promissoras, voltamos a elas, estendemo-las e partimos daí. Ninguém trabalha na música antes ou depois destas sessões, só quando estamos todos juntos, e essa é capaz de ser a maior diferença em relação aos processos criativos dos Efterklang. Normalmente, quando trabalhamos [em material dos Efterklang], eu e o Mads começamos a mexer com computadores, a construir coisas e a tratar da gravação, mas acaba por ser um processo mais demorado. Com os Liima acho que descobrimos uma forma mais imediata de fazer música e de fazê-la de forma mais colectiva, dando a cada um de nós a liberdade de dar o seu input, com o resultado final a ser uma mistura das coisas que nos entusiasmam a todos.

© Rasmus Weng Karlsen

Em termos gerais, qual foi a reacção dos fãs de “velha guarda” dos Efterklang a esta transição?

Acho que as reacções foram muito, muito variadas. Em primeiro lugar, muitos ficaram confusos, porque pensaram que a banda tinha acabado, algo que foi, em parte, culpa nossa, visto que demos o já referido The Last Concert. Para além disso, o facto de termos começado uma série de projectos mais ou menos nessa altura, como o The Lake [estação de rádio “curada” pelos membros da banda], também contribuiu para essa confusão, porque muita gente estava habituada a ver-nos apenas enquanto banda e não estava preparada para essa “torrente” de novidades. Mas, ao mesmo tempo, também vimos chegar muita gente nova, que descobriu os Liima e pensou “oh!, isto é muito fixe, muito melhor que os Efterklang”, bem como o reverso da medalha, com fãs antigos a dizerem “isto não é bem a minha cena, não podiam antes gravar um sucessor do Piramida?”. E acho que, mesmo passados três anos e tal, ainda está tudo na mesma: ainda há gente que descobre os Liima da mesma maneira que há uns ano descobria os Efterklang, malta que já nos ouvia antes e não se identifica com o que estamos a fazer agora e, algures no meio, estão os que nos deixam mais felizes e orgulhosos do que fazemos, que são os que simplesmente seguem tudo o que nós fazemos, desde os discos aos concertos, passando pela nossa rádio, a nossa ópera ou até mesmo os “nossos” festivais em Berlim [By the Lake] ou em Copenhaga [Badesøe]. Mas acho que estamos todos bastante confortáveis com o facto de haver quem prefira o “pacote completo” e haver quem tenha gostos mais restritivos, ainda que seja um bocadinho confuso para nós ter de comunicar em tantas plataformas. No final do dia, sentimos que todos os nossos projectos têm mérito próprio e qualidade suficiente para existirem por si só, mesmo que ligados entre si. Claro que, quando se fala de Liima vai-se sempre falar de Efterklang, até porque os membros de uma banda estão todos na outra, mas penso que é importante sublinhar que os Liima são uma banda completamente diferente, com uma maneira de fazer música completamente diferente, ao passo que os Efterklang são três amigos que estão juntos há 20 anos e que desenvolveram uma maneira muito própria de trabalhar e de seguir os seus sonhos.

Também ia perguntar se houve alguma preocupação em manter esses fãs mais antigos…

Acho que não, não pensamos muito nisso, até porque fica tudo muito confuso quando te pões a pensar nas coisas dessa maneira. O que põe as nossas máquinas a trabalhar é o entusiasmo que sentimos em fazer música e outros projectos juntos. Se começarmos a pensar que temos de fazer as coisas duma maneira específica, a magia desaparece, e isso foi algo que descobrimos quando demos o The Last Concert. Na altura já tínhamos lançado quatro álbuns e já estávamos um bocado fartos de nos ver metidos no ciclo de gravar um disco e ir em digressão, gravar um disco e ir em digressão, gravar um disco… quero dizer, esse ciclo era muito excitante quando começámos a banda, na altura com vinte e poucos anos, mas a partir de certa altura começou a surgir nas nossas cabeças a pergunta: será que isto é algo que queremos fazer para sempre? Às vezes é bom fazer mudanças, começar do zero e encontrar novas formas de tocar e criar juntos, e foi exactamente isso que nós fizemos. Se isso não tivesse acontecido, provavelmente já nos teríamos fartado uns dos outros e nesta altura já não haveria banda.

Foquemo-nos agora nos Liima: ainda que os vossos dois discos sejam ambos bastante experimentais, o ii (2016) parece ser um bocado mais solto e exploratório, ao passo que o 1982 (2017) soa algo mais directo e, às vezes, mais orientado para a pop; isto foi intencional, ou foi algo que aconteceu naturalmente?

Eu também vejo o ii como uma coisa mais “selvagem”, até porque nasceu dum processo de criação e gravação muito mais descontraído, onde decidimos dar seguimento a todas as ideias que iam surgindo. Quando gravámos esse disco, o que nós fizemos foi muito simples: ir para estúdio, gravar dois ou três takes de cada canção, vozes e tudo, e pronto, trabalho feito. Com o 1982, houve um maior critério na selecção das faixas, mas também trabalhámos nela com mais cuidado, permitindo que houvesse espaço para overdubs e para pensar na produção das canções, para podermos obter um resultado mais cristalino. Pensámos mais na gravação propriamente dita, por oposição à forma como tocamos as canções ao vivo. Não queríamos ficar limitados à forma como os temas soavam em concerto, mas sim trabalhar nelas para que funcionassem num álbum e fazer um grande disco, e acho que conseguimos fazer isso mesmo. É o que eu sinto quando oiço o 1982: é mesmo um grande registo. E isso não se deve só a nós, mas também ao trabalho do Chris Taylor [dos Grizzly Bear e produtor do disco], que nos ajudou a perceber que o potencial das canções não seria alcançado se nos limitássemos a gravá-las da mesma forma como as tocamos ao vivo. Isso obrigou-nos a fazer as coisas duma forma mais convencional, trabalhando primeiro nas bases para depois ir acrescentando mais sintetizadores, gravar mais vozes, brincar com as formas e, no fundo, usar o estúdio.

Li algures na internet que 1982 foi o teu ano de nascimento e que, apesar de não ter havido uma tentativa de emular a música dessa era, algumas influências desses tempos acabaram por se infiltrar na criação deste álbum. Consegues falar um pouco mais sobre essas influências?

Bem, todos nós nascemos no início dos anos 80 e partilhamos um conjunto de referências da época: crescemos com o Terminator, passámos pelo excitamento juvenil à volta dos Nirvana e provavelmente começámos a masturbarmo-nos mais ou menos na mesma altura (risos). E até mesmo o Tatu, que vem da Finlândia, também viveu aquela época da mesma maneira que nós, que crescemos na Dinamarca. Para além disso, também vivemos o final duma era em que não havia telemóveis e aprendemos a viver num mundo em que estes se tornaram omnipresentes, se transformaram em smartphones e agora abrem caminho para robôs e andróides e tudo mais. Há também o facto de estarmos todos a meio dos trinta e, por isso mesmo, num ponto de viragem nas nossas vidas. Eu fiz há pouco tempo 36 anos e olho para os meus pais, agora na casa dos 70, e penso que o meu pai me teve mais ou menos com a idade que eu tenho agora. É quase como uma crise de meia-idade, com muitos pensamentos e reflexões sobre identidade típicas desta altura: “que caralho estou eu a fazer?, de onde vim?, para onde vou?”. Todas essas referências e vivências encontraram maneira de entrar no disco, de forma directa ou indirecta. Mas houve sobretudo um esforço de encontrar coisas que nos entusiasmassem a todos. No caso da “People Like You”, por exemplo, a inspiração veio da “Atmosphere” dos Joy Division, que todos nós adoramos; pegámos nela e começámos a improvisar com os nossos instrumentos com a canção a tocar de fundo, para depois removê-la, improvisar letras e inventar coisas novas a partir daí. Quanto ao facto de termos escolhido 1982 como título, é normal que isso leve a pensar a priori que este é um álbum mais retro, mas a verdade é que, apesar de nalgumas canções haver uma vibe de anos 80, o disco não soa nem nunca foi feito para soar a algo vindo dessa era mas sim a música feita para o presente e para o futuro, tal como sempre tentámos fazer até aqui. O que realmente importa não são as referências, que estão certamente lá e têm o seu papel a desempenhar, mas sim o quadro completo que pintamos com elas.



Dois discos em dois anos; já começaram a pensar no próximo?

Não, ainda não pensámos nisso desde que acabámos este (risos). Neste momento estamos focados nos concertos. Vamos tocar em Lisboa no dia 21 [de Março], Guimarães no dia 22 e vamos estar no Tremor [em São Miguel, nos Açores, no dia 24]. Também acabámos de vir duma digressão de três semanas em Janeiro e vamos começar outra no início de Março, e por isso simplesmente decidimos focarmo-nos nos espectáculos e trabalhar para que sejam especiais. E depois disso, é esperar e ver o que acontece depois do Verão, mas por enquanto ainda não pensámos em música nova.

Então e o que é que podemos esperar desses concertos cá em Portugal?

Espero que nessa altura o público português encontre uma banda bastante coesa. Já vamos ter a prática de muitos concertos em cima das costas, e acredito que nessa altura seremos capazes de levar o show para onde queremos. Confesso que estou bastante ansioso, visto que já passou algum tempo desde o último concerto dos Liima aqui, e estou cheio de vontade de mostrar as nossas novas canções e o espectáculo que temos feito ao público português.

Sei que em 2016 te mudaste para Lisboa e tens criado raízes aqui, ao ponto de teres dado ao disco que gravaste em colaboração com Gaspar Claus o nome da cidade. Para além disso, sei que o Tatu também viveu em Portugal durante uns tempos. Sentes alguma influência do país, e da cidade de Lisboa em particular, no teu trabalho?

É sempre complicado olhar para o nosso trabalho e ver a forma como essas coisas se inserem no processo criativo, mas há o caso duma canção do 1982, “2-Hearted”, que nasce duma residência em que participámos em Viseu, no festival Jardins Efémeros. Durante essa residência ensaiámos numa escola de música e um dia decidimos convidar as crianças que lá estudavam a juntarem-se a nós numa sala e tocarem todos uma nota nos seus instrumentos. Com isso “criámos” uma nota e começámos a brincar com esse som e acabámos por usá-lo numa série de canções, como na linha de baixo da “1982”. E há certos sons que obviamente arranjam maneira de se infiltrar na música, mas… não sei. Falando por mim, o que retiro daqui é mais uma maneira de viver do que influências específicas. O facto de ter começado um projecto a solo, fazendo pela primeira vez música sozinho, neste lugar em específico terá certamente alguma justificação ligada à cidade, mas como não tenho mais nenhum termo de comparação, é-me um bocado impossível reflectir sobre os efeitos que o sítio tem na minha música. Mas posso dizer que aqui há uma sensação de água, da sua presença, que me agrada particularmente. O oceano, o rio, a visão do horizonte em aberto, o facto de o meu estúdio estar mesmo ao lado do Tejo com gaivotas à vista e tudo, tudo isso ajuda a intensificar essa presença. Para além disso, posso dizer que o povo português é extremamente generoso e muito, muito acolhedor e isso faz deste sítio o único no mundo onde cheguei e senti que me era incrivelmente fácil conviver com as pessoas ou até sentir-me próximo delas. Aqui são todos muito abertos, ao contrário daquilo a que estou habituado na Dinamarca (risos). Não sei o que é, mas adoro estar em Lisboa e sinto saudades disto quando estou fora, por isso tento estar aqui o mais tempo possível; já fiz imensos amigos aqui, já consigo andar sozinho pela cidade sem me perder e tudo isso deixa-me muito feliz e faz com que me sinta responsável e com a obrigação e o dever de fazer algo aqui, para que mais tarde possa olhar e dizer “criei isto em Lisboa”. A primeira coisa que fiz foi o projecto com o Gaspar, ainda antes de me mudar para aqui, mas nessa altura já me estava a apaixonar pela cidade, e desde aí que tenho continuado a criar material aqui. Não sei como é que tudo isto se traduz na música, existem certamente rastos aqui e ali, mas acho que a tarefa de descobrir como é que essas coisas encaixam pertence mais aos ouvintes do que a mim.


© Rasmus Weng Karlsen

Visto que moras cá, tens seguido a cena artística e musical e o que se está a passar em Lisboa e no país?

Claro que sim. Vivo muito perto da ZdB e por isso costumo passar lá muitas vezes. E nós, na banda, temos uma relação de há já muitos anos com o Musicbox: o primeiro concerto dos Efterklang foi lá e um dos nossos primeiros concertos enquanto Liima também foi lá, e por isso também gosto muito de passar pelo Cais e ver o que se anda a passar. Fora da capital, também já fui ao Milhões de Festa, ao Tremor, ao FMM de Sines… Gosto muito de ver o que se faz por aí e tenho ouvido muita música portuguesa desde que cá estou, mas há tanta coisa... Vivi com o Pedro Lucas, dos Medeiros/Lucas, e adoro o que eles fazem. Há uns meses estive num concerto dos Black Bombaim no Musicbox e gostei imenso. E comecei a trabalhar com o Shela, com o Norberto Loo a pintar algumas das nossas capas, e é possível que tentemos fazer alguma coisa os três... Também gosto muito de rancho (risos), é um género que me interessa muito. Todos os meus amigos daqui dizem “ah, rancho é algo que já ouvimos tantas vezes que já passa ao lado…”, mas eu respondo “ok, mas isto é muito fixe, adoro aquelas vozes” [trauteia] (risos). As vozes esquisitas, o acordeão ali pelo meio, os ritmos, tudo isso me fascina. Mas sim, tenho andado a ver o que anda por aí. Há aqui música boa aos montes, e o que eu acho que Lisboa tem de especial é a combinação de música mais tradicional com coisas mais modernas. Há muito fado, obviamente, mas também há imensa música com raízes africanas, música brasileira, e ouve-se de tudo um pouco quando se anda pelas ruas da cidade. Tu, por exemplo, vives aqui perto desde sempre e é normal que já nem notes nisso, mas para alguém de fora, como eu, isso salta logo à vista. No outro dia regressei aqui vindo da digressão que fizemos e pus-me a ouvir os músicos da rua e os sons que saem dos bares e isso é uma experiência muito exótica, é possível ouvir imensas influências. Isso faz deste sítio um destino europeu bastante ímpar, especialmente em termos musicais. Acho que o que torna Lisboa única é a sua paisagem sonora, o facto de quase sempre ouvires música a sair de algum lugar; isso é algo muito próprio desta cidade e é algo que não encontrei nem em Barcelona, nem em Madrid, nem em Sevilha… É algo muito Lisboa, o facto de ser um porto onde uma quantidade imensa de culturas desembarcou ao longo dos anos e décadas e de ainda manter todos esses “sabores” passados tantos anos. Ao andar pelo Cais do Sodré podemos ver todos aqueles bares de marinheiros e prostitutas que, apesar de terem desaparecido, deixaram a sua marca, as suas músicas e os seus sons de todo o mundo. E tudo isso é algo que, honestamente, não vês em muitos outros sítios da Europa.

Para acabar: qual é o teu prato português de eleição?

(Risos) Essa é tão difícil! Confesso que tive de fazer uma pausa nos pastéis de nata, nos primeiros tempos comi demasiados e acabei por enjoar um bocadinho. Agora tenho imensas saudades dos bolos de creme da Dinamarca e encontrei recentemente um restaurante aqui perto que tem um bolo de creme com morangos simplesmente delicioso. Também adoro um Bacalhau à Brás bem feito, mas há tantas coisas boas… comi cabra em Barcelos, quando fui ao Milhões de Festa, e gostei bastante. Comi um óptimo atum nos Açores. Adoro um prato de marisco típico da Madeira, que agora não me lembra o nome… [procura no telemóvel] está aqui! [estala os dedos] Lapas! Sou um grande fã de lapas!
João Morais
joao.mvds.morais@outlook.com

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