ENTREVISTAS
Black Mountain
A montanha vem a Maomé
· 16 Mar 2016 · 19:32 ·
A espera foi longa mas irá terminar. Este mês, os canadianos Black Mountain pisarão solo nacional pela primeira vez, para apresentar IV, álbum que editarão no próximo dia 1 de Abril. E fá-lo-ão em dose tripla: primeiro em Ponta Delgada, por ocasião do Festival Tremor, e depois no Hard Club (Porto) e no Musicbox (Lisboa), em nome próprio. Com eles, para além dos temas de IV, virá também uma história contada em tons stoner, num bafo que foi solto nos anos setenta e veio parar, como que por magia, ao mundo contemporâneo. Falámos com Stephen McBean sobre esta vinda e estas foram as respostas que o líder dos Black Mountain nos ofereceu.
© Magdalena Wosinska
Esta será a vossa primeira vez em Portugal. Qual é a vossa impressão do país? Sempre que tocam num sítio no qual nunca tocaram antes, sentem a necessidade de se superarem e darem um concerto ainda melhor do que dariam, caso já lá tivessem tocado muitas vezes?

Estamos a planear comer o máximo de francesinhas que nos for possível! Não temos nenhum cartão de pontuações dos nossos concertos - fazemos a nossa "cena" e na maioria das vezes saímos com as almas satisfeitas. Se estivermos todos dispostos a dar tudo, será um bom momento.

Qual é a coisa mais importante que aprenderam desde que começaram enquanto banda, há mais de dez anos?

Os pedais de afinação são úteis, não levantes pesos com as costas e nunca te metas acima do som da tarola.

© Magdalena Wosinska

IV irá sair seis anos depois de Wilderness Heart, o vosso terceiro - e até agora último - álbum. O que é que têm andado a fazer durante este tempo? Quando e onde é que IV foi gravado? Esta pausa influenciou-vos o processo criativo?

Não me recordo de quando é que foi gravado, mas lembro-me de que foi em Seattle, nos Avast! Studios, com o Randall Dunn a manusear as máquinas. Todos nós fizemos muito durante esta pausa - especialmente dormir e comer. O sonho é uma referência constante neste disco, portanto o dormir deve ter tido os seus efeitos positivos.

A "Florian Saucer Attack" é uma referência à banda aos Flying Saucer Attack? De quem é que partiu a ideia para o vídeo? O aspecto visual dos Black Mountain é algo pensado e criado pelos membros da banda, ou procuram pessoas exteriores para trabalharem nesse campo específico?

Não, não é. O Chad VanGaalen foi quem criou o video da "Florian Saucer Attack". O Jeremy Schmidt (o nosso teclista) encarregou-se de todo o artwork e é também o responsável por grande parte do nosso aspecto visual. Usamo-lo nessas duas vertentes.

Desde o início que são catalogados como uma banda de rock psicadélico e stoner rock. Hoje em dia há cada vez mais festivais dedicados à música psicadélica e ainda mais bandas que se assumem, de uma maneira ou de outra, nesse género. Qual a vossa opinião sobre isto? Acham que existe um risco do rock psicadélico poder, eventualmente, vir a estagnar? Como é que as bandas podem evitar isto?

O rácio entre boas bandas e más bandas ajuda a equilibrar a cena.

© Magdalena Wosinska

Há coisa de três anos disseram numa entrevista que o mistério na música se está a tornar uma arte perdida. Como é que se pode trazê-lo de volta? É algo possível?


Eu disse isso? Podíamos dar cabo do Google, Wikipedia e YouTube e forçar toda a gente a ler as Cream antigas. Nem toda a gente precisa de ver uma fotografia de um Robert Smith bêbado a pavonear-se com a mãe de alguém e uma pizza meio comida.

Se Jesus Cristo voltasse à terra e só pudesse ressuscitar uma pessoa, escolheriam o Lemmy ou o David Bowie?

Não escolheria nenhum deles - ambos tiveram vidas maravilhosas. Apontaria para a minha avó, para que pudéssemos voltar a beber chá e para que ela pudesse ir a um dos nossos concertos.

Traduzido por Inês Sousa Vieira
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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