ENTREVISTAS
Bruno Pernadas
Mapa Mundi
· 10 Abr 2015 · 14:33 ·
How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge, o disco de estreia de Bruno Pernadas, é um imenso Mapa Mundi. O seu universo é feito de coordenadas musicais amplas mas geograficamente coesas. Olhando para 2014, foi um daqueles discos que injectou memorável vitalidade na música portuguesa. Depois de nos últimos anos ter vindo a colaborar intimamente com grupos como Julie & The Carjackers, When We Left Paris ou o Real Combo Lisbonense, Bruno Pernadas encontrou o espaço e tempo para publicar o documento mais ilustrativo do seu ADN musical. Com os resultados conhecidos por todos. Agora que passou algum tempo desde o lançamento de How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge, fomos falar com Bruno Pernadas para saber mais acerca do processo de criação, desenvolvimento e manutenção de um disco que colocou finalmente o seu nome no centro de todas atenções.
Se tivesses que resumir o teu percurso musical até agora em meia dúzia de frases, como é que seria a coisa?

Comecei a estudar música aos 13 anos de idade, e nunca parei de estudar e trabalhar nesta área desde essa altura.

Quando decidiste seguir este rumo a solo?

Não sei bem, 2006 / 2007 talvez.

Deixaste para trás as experiências musicais com outros projectos ou isso é impossível?

Não. Todos os projectos em que participei acabaram por ter uma marca musical cronológica.

Dirias que todos eles ajudaram a construir o músico que és hoje? Algum deles com especial relevância?

Sim, podemos dizer que a maior parte dos projectos em que estive envolvido contribuíram para o melhoramento de várias componentes musicais.

© João Bento

Em que partes do teu cérebro estavam alojadas as canções deste disco? Ou seja, há muito tempo que trazias este disco secretamente no teu imaginário?

Não. A maior parte dos temas que fazem parte deste primeiro disco foram concebidos em 2012.

Musicalmente, o teu disco de estreia a solo é um imenso mapa em termos de diversidade. Alguma vez temeste perder o controlo da tua própria criação?

Não. As várias vertentes musicais que compõem o processo de criação, surgem de uma forma natural e não pré-concebida, portanto esse problema nunca se coloca.

Qual foi a maior surpresa que tiveste no decorrer da gravação deste disco?

Constatar que certas melodias tocadas por instrumentos a que tive acesso no estúdio ficaram completamente diferentes das versões de pré-produção. O resultado foi inesperado e positivo.

Qual foi o teu papel na produção do disco?

Eu idealizei e ouvi os sons presentes no disco antes da sua gravação, de modo que a produção musical deste disco tinha que ficar ao meu cargo.

Alguma vez pensaste terminar o disco com uma versão da "With little help from my friends"? Quero dizer, fazer música com - ou entre amigos - é especialmente entusiasmante para ti?

Sim, é sempre positivo trabalhar com amigos próximos no decorrer do processo.

© Vera Marmelo

As colaborações que tiveste neste disco; que tipo de liberdade destes a cada um deles no papel que tiveram neste disco?

No que diz respeito a secções de solos, dei total liberdade aos músicos como se tratasse de um contexto de música de jazz, nos casos mais concretos pedia sempre a opinião dos músicos em relação à sonoridade geral.

Não levaste ainda muitas vezes este disco a palco. É uma tarefa complicada de executar?

Não. Simplesmente este concerto não foi muito programado, mas em 2015 deverá haver mais concertos.

Mas pensas criar uma versão com uma formação redux deste concerto para o poder apresentar mais vezes ou isso é uma tarefa impossível?

Essa hipótese não se coloca, mas não é de todo impossível, simplesmente não o quero fazer, como também não faço showcases, ou concertos acústicos com este projecto.

O que te dá mais prazer: construir um puzzle destes em estúdio ou mostrá-lo em cima do palco?

São processos diferentes, gosto de ambos.

Falando do processo de criação, de composição do disco. Foi um processo muito demorado?

Sim, demorou muito mais do que eu imaginava, mas também foi positivo porque a demora permitiu trabalhar noutros projectos e ter mais tempo para estudar.



Qual a importância da Pataca para este disco? Numa altura em que parece que voltaram a ser menos importantes para o meio criativo, qual a importância que uma editora nestes dias?

A Pataca discos permite aos músicos uma total liberdade artística do ponto de vista musical e essa qualidade e característica não é muito comum actualmente.

O que é que te entusiasma na música dos dias de hoje enquanto ouvinte? És uma daquelas pessoas que passa mais tempo a escavar discos do passado do que a ouvir o que de mais actual se produz?

Sim, dedico mais tempo a procurar música antiga que não conheço de todo, mas também ouço muita música dos últimos anos, principalmente na área do jazz.

Continuas a escrever música e a gravar enquanto Bruno Pernadas? Quais são os teus projectos para os próximos tempos?

Estou neste momento a trabalhar para dois novos discos.

Podes adiantar-nos alguma coisa em relação a esses dois lançamentos?

Um dos discos será mais dedicado a componentes acústicas, improvisação e densidade sonora e o outro será mais dentro do universo do Hhow can we be joyful in a world full of knowledge.

Qual o melhor trocadilho que alguma vez fizeram com o teu último nome?que

Por tudo e pernadas.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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