ENTREVISTAS
Interpol
Fez-se luz
· 19 Nov 2012 · 16:30 ·
É mais do que provável que, quando entraram nos estúdios da Tarquin em Novembro de 2001 para gravar Turn On The Bright Lights, os Interpol não fizessem ideia de que estariam prestes a colocar no mundo um dos discos mais importantes da década passada, essa que ficou marcada - quiçá um estereótipo absurdo e perigoso - por não os ter. Mas o que é certo é que o álbum de estreia dos Interpol não influenciou apenas todo um revivalismo do período pós-punk e do seu lado mais negro. Inflou, da mesma forma, toda uma ideia de indieismo que marcou muito dos 00s, rótulo que é hoje em dia utilizado para vender um produto e não para descrever quem se coloca às margens das grandes editoras. Deu a conhecer a muitos os Joy Division, os Echo, até os Smiths. E, acima de tudo, destacou-se pela música, pela classe e força de temas como "Obstacle 1", "NYC" ou "Stella Was A Diver...", que resistem ao teste do tempo a que muitas das bandas nascidas neste período chumbam. Sam Fogarino tomou algum do seu tempo para nos responder a algumas perguntas, agora que os Interpol estão numa espécie de hiato - mas regressarão, e esperemos que mais fortes do que nunca.
Sendo vocês uma banda de Nova Iorque, tenho de perguntar: como viveram o furacão Sandy? Saíram da cidade ou permaneceram aí durante toda aquela semana? Está tudo bem convosco e com os vossos familiares?

Felizmente, vivo a mil quilómetros de distância, em Athens, na Geórgia. Saí de Nova Iorque em 2008. Escusado será dizer que não estive lá durante o Sandy. O Daniel estava na Europa, mas o Paul estava em NY durante e após a tempestade, mas teve a sorte de não lhe ter acontecido nada.

Alguma vez pensaram que o Turn On The Bright Lights teria o sucesso que teve? Qual foi a melhor coisa que leram sobre o disco (numa crítica ou algo do género) ou que um fã vos tenha dito acerca dele?

Ninguém na banda imaginava (ou sequer tentou imaginar) tudo aquilo que se seguiria ao lançamento do Turn On The Bright Lights. Para mim, uma das melhores coisas que li sobre ele foi do Dennis Cooper, que o colocou no topo da sua lista no Art Forum Magazine. Ele é o meu autor contemporâneo preferido.



Olhando para trás, que memórias guardam de compor e gravar o vosso primeiro LP? Acham que foi um processo mais complicado do que em relação aos subsequentes?

Tudo aquilo que fizemos enquanto banda nessa altura foi muito mais complicado daquilo que é hoje, doze anos depois. Há alguns bons momentos dos quais me recordo, enquanto compúnhamos metade do material que acabou no disco... a "NYC", a "Obstacle 1", a "Leif Erikson", a "Say Hello..." são algumas das mais memoráveis. Cada canção era desafiante em si, criar os arranjos e compor cada qual das partes que as constituem, etc.. Foi há demasiado tempo para me lembrar de algo em concreto, além de me sentir exultado durante e após o processo de composição dessas canções.

Como é que acabaram na Matador? Conseguem lembrar-se da história? Como e quando vos abordaram?

Antes de me juntar à banda, o Daniel tinha enviado à Matador algumas canções em duas ocasiões distintas, e em cada uma delas eles puseram-nas cordialmente de parte (ou, em termos simples, rejeitaram-nas). Em 2001, a Chemikal Underground, uma editora de Glasgow, lançou um single, em edição limitada de 1500 cópias, no RU/UE. Isto levou a que fizéssemos uma pequena tour pelo Reino Unido, finda a qual gravámos uma Peel Session. Juntamente com algumas faixas gravadas por nós, e com as que gravámos para essa sessão, editámos uma nova demo - e, imediatamente a seguir, a Matador convidou-nos a ir até aos escritórios deles... o resto é história.

Planeiam revisitar o disco num formato Don't Look Back?

Não, de momento não.

Como é que esse disco vos ajudou a crescer enquanto banda? Como avaliam a evolução dos Interpol nestes dez anos que se seguiram?

Compondo e gravando, simplesmente - e, depois, andar pelo mundo durante ano e meio. A evolução é algo difícil de auto-avaliar. Tudo o que posso dizer é que após década e meia a fazer o que fazemos estamos muito mais competentes.

Quem tratou do processo de remasterização? Quão satisfeitos estão com o resultado final? Se pudessem regravar o Turn On The Bright Lights, mudariam alguma coisa no som ou na tracklist?

O Greg Calbi, na Sterling Sound, tratou disso. Ele tratou de tudo aquilo que lançámos. Não há nada que eu queira mudar, seria como tentar recriar um evento que aconteceu há muito, como criar uma mentira a partir de algo que é verdadeiro - não há razão para fazer tal coisa... [sorriso]



Desde o início que têm sido comparados aos Joy Division, e desde então tivemos um novo revivalismo JD/New Order que culminou em filmes como o Control. Acham que o vosso disco potenciou este revival ou era inevitável?

Creio que estava destinado a acontecer, independentemente dos Interpol.

Já que perguntar-vos a vossa canção preferida do disco é demasiado cliché, pergunto antes: qual é o vosso verso preferido do disco?

Sem me desculpar é o da "NYC": It's up to me now, turn on the bright lights.... Obviamente, esse verso tornou-se no título do disco...

Os Interpol planeiam trabalhar juntos brevemente, ou irão dar ainda algum tempo a cada membro para se dedicar aos seus projectos a solo?

Eu e o Paul estamos envolvidos de momento com o nosso trabalho fora dos Interpol. Na próxima primavera sai um disco meu nos EUA, sob o nome EmptyMansions, e andarei em tour alguns meses. O Paul fará o mesmo. Mas já existem planos para novo material de Interpol lá para finais de 2013, e estamos todos excitados com isso.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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