ENTREVISTAS
Suuns
O visceral não tem de ser bruto
· 01 Dez 2011 · 14:35 ·
Suuns, quando pronunciado rapidamente, pode soar a Swans. Os Suuns também, embora muito menos apoiados no ruído e mais numa noção de ambiência retirada de filmes tão ricos em imagens psicopatas como os de David Lynch. Depois de se estrearem em 2010 com um EP e um disco intitulado Zeroes QC (sendo que Zeroes é a sua designação anterior) os Suuns encontrarem em 2011 um reconhecimento merecido: o NME, para muitos bíblia, considerou-os a best new band deste ano que vai passar. Em semana de estreia por Portugal, sexta-feira no Musicbox, em Lisboa, e sábado em mais um Clubbing da Casa da Música, no Porto, os canadianos responderam as nossas perguntas. E não caiam no estereótipo: nem todos os Canadianos são bons.
Tal como disse Scroobius Pip, thou shalt not read NME... mas a revista disse que vocês eram a melhor banda nova para 2011. Que acham disto? Foi surpreendente, normal, não querem saber?

É um verdadeiro elogio. Que se pode dizer? É sempre surpreendente quando és destacado, mas encaramos isso sem problemas, com alguma cautela.

Sendo que são mais populares na Europa que nos EUA, já pensarem em mudarem-se para cá?

Não de forma séria, mais fantasiosa. Teríamos de ser muito mais populares para que isso fosse realista... Ou talvez não... Estamos nessa. Vamos a isso.


No vosso primeiro lançamento, o EP Zeroes, noto um sentido de urgência que não noto no LP do mesmo nome, mesmo havendo muito pouco tempo de lançamento entre um e outro. Vocês abordaram o vosso longa-duração com uma melhor ideia daquilo que queriam fazer, como queriam soar?

O EP foi a nossa primeira tentativa de gravar algo. As gravações do EP são significativamente mais velhas que a do LP, e foram gravadas por toda Montreal, no nosso espaço onde praticamos, em apartamentos de amigos, em escritórios... quando gravámos o LP tínhamos um estúdio a sério onde trabalhar, maior confiança, estávamos mais relaxados. Não tínhamos um conceito ou um som que quiséssemos alcançar. Apenas tentar com que as canções soassem bem e tocá-las com o mesmo intuito que tentamos sempre ter.

Como foi o processo de gravação? Houve alguma ideia que partisse do produtor?

Conhecíamos bem o material por isso foi bastante rápido. Limitámo-nos a derrubá-los. Tínhamos o Jace Lasek como engenheiro de som, e ele tem um bom ouvido. O nosso som misturou-se bem com a estética pessoal dele e acho que isso ajudou a música. Ele também gosta de grandes sons de bateria e guitarra, que é a nossa cena.

Também captaram a atenção imediata de uma grande editora (indie) como a Secretly Canadian. Que tal tem sido essa relação?

A Secretly Canadian tem apoiado muito as nossas ideias. Confiamos neles, o que é enorme. É bom ter connosco pessoas por detrás dos materiais de som que sabem bem do que falam.

Planearam disponibilizar o EP de forma gratuita no website deles logo à partida ou foi ideia da editora? Qual é o peso que acham que a internet tem tido no vosso sucesso?

O EP foi a primeira coisa que fizemos antes de conhecer alguém de alguma editora. Antes de lançarmos o LP decidimos tornar o EP gratuito para toda a gente. Ninguém sabia quem éramos. Que interessa guardá-lo para nós? A internet ajuda-nos da forma que ajuda qualquer outra banda. Não estamos muito activo na comunidade online, mas vamos ao Twitter de vez em quando. Cenas assim. Tentar julgar a influência da internet na nossa banda seria muito difícil.


Disseram antes que são influenciados pelas artes visuais, e as vossas canções são muito cinematográficas. Quais são as vossas principais influências nesse campo?

As canções às vezes parecem pequenas imagens, estados de espírito, são para nós música muito visual. Não sei se existe alguém que tenha sido uma influência directa. Gostamos muito do David Lynch, o estilo dele é por vezes paralelo ao que fazemos musicalmente. Criar tensão a partir de coisas mundanas.

No que a isso diz respeito, ficaram satisfeitos com os vídeos de "Up Past The Nursery" e "Pie IX"? Acham que alguém que não tenha visto os vídeos e ouça os temas irá conjurar imagens semelhantes, ou deixam que as vossas canções sejam interpretadas como as pessoas quiserem?

Adoramos esses vídeos. São para nós pequenas vitórias. Muitos destes vídeos e outras coisas que fazemos à parte são ideias nossas, por isso testamo-nos a ver se conseguimos ter ideias porreiras e artwork que vá de encontro ao nosso estilo. Não acho que qualquer um dos vídeos mude a maneira como se pensa na canção.

Faixas como a "Disappearance Of The Skyscraper", "Arena" e "Pie IX", tal como a capa do disco, têm esta qualidade sinistra/quase assassina. Não estão a ir contra o estereótipo de que todos os Canadianos são pessoas amistosas e despreocupadas?

Lá porque somos Canadianos não muda o facto de que os Suuns são pessoas maléficas e cruéis.


Uma palavra que vos é muitas vezes associada é "minimalismo". Como é o vosso processo criativo? Tendo estudado jazz em escolas de música, a improvisação toma algum papel principal nas vossas composições?

Todo o processo de composição é, até certo ponto, improvisacional. Gostamos da escola minimalista. Trabalhamos com ideias musicais simples, juntamos a influência de diferentes tipos de música que conhecemos e adoramos, ao mesmo tempo que tentamos manter as nossas raízes no rock n´roll.


Qual é a melhor maneira de disfrutar de um concerto de Suuns ao vivo? Devemos sentar-nos e curtir a sinestesia, ou dançar até cair?

Como quiserem. Sigam o que sentem.

Quais são os vossos planos para 2012, antes do fim do mundo?

Novas músicas. Vamos descer fundo antes do apocalipse.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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