ENTREVISTAS
Big Bold Back Bone
Espinha dorsal
· 01 Dez 2010 · 18:40 ·
Reunindo dois portugueses (Luís Lopes e Travassos) e dois suíços (Sheldon Suter e Marco Von Orelli), os Big Bold Back Bone são um quarteto acabado de estrear. Os suíços fazem parte do duo Lost Socks (improvisação, trompete e bateria), o guitarrista Lopes acaba de editar dois novos discos próximos do jazz (Electricity com o seu Humanization Quartet e Afterfall, ao lado de Sei Miguel, Joe Giardullo, Benjamin Duboc e Harvey Sorgen) e Travassos continua a aplicar a sua electrónica analógica em múltiplos projectos (FLU, Pinkdraft, Les Voisins, One Eye Project). Juntos, estes quatro músicos prometem uma união sonora abençoada pela improvisação, mas aberta a múltiplas direcções, da contenção da música de câmara à sujidade do rock. Os Big Bold Back Bone vão ser uma das atracções do novo festival MUCO e actuam no Cartaxo no dia 4 de Dezembro. Falámos com Travassos, um dos representantes nacionais da banda, que nos contou os objectivos dos grupo.
Como nasceu a ideia destes Big Bold Back Bone, um encontro entre um duo nacional (Travassos e Luís Lopes) e o duo suíço (Sheldon Suter e Marco Von Orelli)?

O Marco Von Orelli estava em Lisboa e ocasionalmente assistiu a um concerto do Luís Lopes Humanization Quartet no Maxime. Nessa noite abordou o Luís Lopes e convidou-o para ele se juntar ao seu quinteto para uma pequena tour pela Suíça. A partir desse momento os laços ficaram criados, com a promessa de voltarem a Portugal para tocar com o Luís e outros músicos nacionais. Foi então que conheci o Marco e o Sheldon, que vieram também atraídos pelo fenómeno da Clean Feed. O Sheldon lançou o desafio e fizemos um ensaio só para experimentar, sentimos de imediato uma empatia muito positiva e ficámos entusiasmados com o resultado musical. Desde esse momento que o Sheldon, e todos nós, fizemos questão de dar continuidade a este encontro. Nós contribuímos com o Back Bone e eles com o Big Bold e assim surgiram os Big Bold Back Bone.


Os músicos Sheldon Suter e Marco Von Orelli trabalham juntos no duo Lost Socks. Esta experiênca será uma mais valia para o resultado artístico?

Sem dúvida. Quando tocamos sentimos a coesão do duo e isso torna tudo muito mais fluído. Quando os músicos se conhecem a segurança e qualidade perceptiva são bastante maiores.

O que podemos esperar da musica produzida por este quarteto? Podemos falar entre free jazz, improvisação e rock?

O nosso som tém definitivamente afinidades com o jazz, visto a maioria dos músicos terem um background próximo do jazz. Contudo, o único académico é o Marco, estando este também envolvido em trabalhos de escrita para ensembles mais eruditos. O Lopes, apesar de ter formação jazz, tem uma escola de vida também próxima do rock e da improvisação. O Sheldon é um autodidacta com uma sensibilidade impressionante, interessado particularmente pelo jazz e a improvisação. Eu sou também autodidacta, com influências muito abrangentes. O que resulta daqui é música contemporânea improvisada, delicada e tensa, que vive de momentos detalhistas e de situações orquestrais que contêm elementos do universo do jazz, da electro-acústica e, de forma mais longínqua, também do rock.

O que esperam do concerto no festival MUCO?

Estamos com expectativas elevadas, visto até lá termos oportunidade de fazer alguns ensaios e de apurar as linhas soltas. Sendo também o segundo concerto, a seguir ao concerto no dia 2 em Lisboa, certamente que estaremos mais tranquilos e seguros.


Este é um grupo fechado, ou está aberto à participação de outros convidados?

Estamos numa fase bastante inicial e queremos primeiramente concretizar uma serie de objectivos que temos enquanto grupo. Mais tarde, nunca se sabe, é sempre uma possibilidade em aberto... mas por agora não.

Há planos para a continuidade deste grupo? Há ideias para gravar e editar este quarteto no futuro?

Esta reunião dos Big Bold Back Bone está a acontecer precisamente com o intuito de culminar numa gravação de estúdio nos dias 6 e 7 de Dezembro, com a finalidade de editar um disco. Por enquanto ainda não temos uma editora, existem algumas possibilidades na mira (que ainda não estamos em condições de revelar), mas de momento estamos focados nesse sentido. Até porque este projecto vai voltar à estrada já em Fevereiro, com uma digressão pela Suíça onde vamos permanecer dez dias e fazer cinco datas (nos dias 15, 16, 20, 21 e 22 de Fevereiro). O que certamente ira amadurecer e consolidar o projecto.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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