ENTREVISTAS
KK Null
Senhor do ruído
· 08 Out 2009 · 00:12 ·
Kazuyuki Kishino, conhecido artisticamente como KK Null, não é um senhor de muitas palavras, pelo menos por e-mail, o meio possível para esta entrevista, nas vésperas de actuar no festival Trama (sábado, 10 de Outubro, bar do Passos Manuel, à meia-noite). O japonês cai bem num festival dedicado às artes performativas e, por arrasto, da relação que mantemos com o corpo – o nosso e o dos outros. Como ele diz, nesta telegráfica entrevista, o noise atrai-o pelas “dinâmicas físicas, a abstracção, o extremo, a pureza”. Nada que surpreenda vindo de um antigo bailarino de Butoh.
Como é o espectáculo que vai mostrar no Porto?

Vou apresentar trabalhos electro-acústicos a que chamo de “cosmic noise”, incluindo versões diferentes das faixas do meu ultimo álbum, “Extropy”, e algumas faixas novas que compus para este concerto

Qual é a sua abordagem aos concertos? São espectáculos totalmente improvisados?

Basicamente, componho algumas faixas e preparo o alinhamento todo antes do espectáculo no meu estúdio caseiro. Em palco, improviso sobre ele usando Kaoss pads, microfones de contacto e a minha voz.


Como artista solo, trabalha com ruído digital. Porque é que abandonou a guitarra, que tocava nos Zeni Geva?

Fartei-me de fazer noise com a guitarra e quis explorar um novo horizonte através de aparelhos electrónicos puros como o sintetizador, o Kaoss pad e outros.

Fez e estudou Butoh. Mantém uma relação com essa forma de arte?

Já não faço Butoh, mas continuo muito interessado. Estou a planear um projecto colaborativo com uma companhia de dança em Paris que deve acontecer em 2010.

Os Zeni Geva estão mortos ou há novos projectos para a banda?

Não, os Zeni Geva estão vivos. Regressamos e fizemos uma digressão de três semanas na Europa, incluindo o festival de Roadburd, em Tilburg, na Holanda, em Abril. Correu muito bem. O segundo baterista original do grupo, Tatsuya Yoshida (Ruins, Koenji-Hyakkei, etc.), voltou à banda pela primeira vez em 20 anos, o que fez de nós algo mais poderoso e progressivo. Não percas da próxima vez que tocarmos na Europa.


Como KK Null, tem mais de 100 discos. Não teme as consequências de tanta produção?

Não tem com que se preocupar. Só tenho feito o que quero e a minha inspiração e criatividade vão durar para sempre. Sem problema.

Tem um disco, "Kosmo Incognita", na portuguesa Thisco. Como é que isso aconteceu?

Não me lembro como aconteceu. O tipo da editora contactou-me e...

O que é que o atrai no noise?

As dinâmicas físicas, a abstracção, o extremo, a pureza...

O que é que o leva a colaborar com tantas pessoas diferentes? Por vezes, vejo a cena noise e avant-garde como um grande clube social.

Diria que estamos todos envolvidos num grande clube social, não estamos? É assim com tudo o que faças, onde quer que estejas, desde que vivas nesta sociedade. Ou achas que não?
Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com

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