ENTREVISTAS
Why?
Fábrica de Sonhos
· 09 Fev 2009 · 20:53 ·
Entrar na música dos Why? é o mesmo que mergulhar no mais ecléctico dos mares musicais. Há de tudo nos discos destes norte-americanos, encapsulado de forma superior. Há hip-hop com fartura no processo e na forma (o selo Anticon prova-o) mas depois há um disparar em tantas direcções quanto possível. De tal forma que a viagem corre certas vezes o risco de se tornar surreal. Alopecia é um excelente exemplo da excentricidade de uma banda que tem vindo a apurar a escrita de canções com o tempo, adicionando-lhe novos pontos de interesse a cada aparição. Há nos Why? uma notável vontade não seguidista que lhes permite levar a música pop a um nível seguinte, a um estado inconformista e original. Para fazer justiça aos Why?, a entrevista com Yoni Wolf teve tudo o que de surrealista se esperava. Há coisas que felizmente nunca mudam.
Como o vosso nome indica, vocês fazem a vocês mesmos uma data de perguntas. Que respostas conseguiram reunir até aos dias de hoje?

Eu sei que se chegasse a esse ponto, o Batman ganharia ao Super-homem. Também, que o Terminator nunca se devia opor ao Predator, para que não fiquem milhares de pessoas em risco.

Tiveram todos formas diferentes na aprendizagem de música, históricas diferentes no que toca a deixar a música entrar nas vossas vidas, distintas experiências musicais. Acham que tudo se conjugou bem nos Why??

Sim, acho que os Why utilizam com sucesso o efeito Voltron effect, ou o fenómeno X-men, para que cada competência de cada membro venha a jogo uma vez ou outra para o bem maior salvar o mundo (ou tocar uma canção que seja).

No perfeito domínio dessas competências, diriam alguma vez que os vossos sonhos mais selvagens eram fundir uma dúzia de géneros musicais numa mesma banda. Acham que a música tem essa obrigação moral e heróica?

O meu sonho mais selvagem é fazer amor com as gémeas Olson em cima de um corcel branco com asas no nosso caminho flutuante para algum paraíso sexual no céu enquanto como galinha vegetariana e panquecas entre longas costeletas. Mas, a música também é muito porreira.


Considerando tudo isto, achas que a Anticon é a editora perfeita para os vossos discos?

A Anticon tem sido maravilhosa. O Don Shaun Koplow, que dirige a editora agora é o meu bom mano e a editora é bastante caseira e uma entidade de bom paladar para a dança suja do negócio. Por isso sim, adoro a Anticon!

Indo ao passado, com Elephant Eyelash os Why? torbaram-se mais uma banda, com canções de corpo inteiro. Acham que este foi um disco muito importante para afirmar o som da banda?

Sim. Cada disco é um passo muito importante para a aprendizagem. E quando isso deixar de ser verdade, será tempo de desistir. Estamos a contar convosco para nos dizerem quando esse dia chegar.

Tendem a demorar alguns anos a trabalhar num novo disco, em novas canções para um trabalho. Para vocês a escrita é um processo demora e complicado?

Sim. Ainda não aprendi a trabalhar de forma eficiente nas etapas iniciais do processo criativo.

Quando começam a trabalhar num novo disco, pensam instintivamente e imediatamente em riscar tudo, modificar as coisas, começar do zero, para atingir uma nova estética?

Estamos sempre a lutar por um certo som que acaba por se desenvolver durante o decorrer do processo de feitura do disco. É como quando o G.I. Joe tem um plano bem desenhado para uma missão, mas durante o processo, alguns dos membros malandros têm de usar os seus instintos perspicazes para improvisar no sentido de alterar o plano para garantir a vitória final.

Segundo sei vocês compram muitos e diferentes instrumentos a toda a hora. Usam esses instrumentos assumidamente para trazer novas cores e formas à vossa música?

Não compramos na verdade muitos instrumentos, mas temos tendência a utilizar aquilo que está à nossa volta durante as gravações. Somos bastante abertos a usar tudo aquilo que possamos encontrar (tampas de caixotes do lixo, correntes, chicotes, parafusos, luvas velhas e ensanguentadas, etc.) de forma a evocar uma certa e determinada textura ou cor.

Não há muito tempo, em Fevereiro de 2007, mudaram-se temporariamente para Minneapolis e tornaram-se num quinteto. O que é que isso mudou?

Fazia frio como a merda. Aprendemos a antiga técnica Indo-Siberiana de S.Y.W. (Sensual Yogic Warming) e hot toddies [uma receita com whiskey e sumo de limão, entre outras coisas]. Éramos long johns num mundo encantado de Inverno de prostitutas rápidas. Além disso, o Andrew Broder e o Mark Erickson foram as perfeitas adições ao nosso conjunto musical.


Posso dizer que um dos vossos objectivos, na vossa música, na vossa criação, é de, de certa forma, traçar e mostrar a realidade? É um objectivo claro? Especialmente este vosso último disco…

Tentamos ser como um espelho plano. Mas acho que, até agora, somos como um espelho de um circo que refracte a sua própria imagem nas semelhanças de um freak da natureza. O objectivo é a verdade factual objectiva. O nosso ultimo disco será uma ilustração musical da Encyclopedia Brittanica.

No vosso myspace podemos ler que “Alopecia não é tanto um regresso como uma afirmação de algo que já estava no ar”. Porque é que se se sentem desta forma?

Não sei. Não fui eu que escrevi isso e não tenho a certeza se sei o que significa. Soa bem para caralho, no entanto.

Porque é que alguma vez se lembrariam de chamar a um disco um problema de cabelo?

Os lobistas da perda de cabelo são notórios subornantes e não podíamos financeiramente dar-nos ao luxo de não chamar ao disco “Alopecia”. Resistimos, no entanto, à sugestão de dar a capa do disco ao retrato do Mr. Clean, a mascote da National Organization of Special Hair-loss and Intentional Tip-frosting (N.O.S.H.I.T.). Não foi fácil resistir a isto, já que a organização ofereceu-nos uma volta num Pegasus com gémeas célebres, mas no final preferimos representar um bando de cavalos selvagens a flutuar numa nuvem com as mãos de Deus descendo dos céus, oferecendo o nome da nossa banda às pessoas da Terra.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

Parceiros