ENTREVISTAS
Religious Knives
As portas da percepção
· 01 Out 2008 · 23:19 ·
Com o lançamento de The Door previsto para este mês, e aproveitando a sua estreia em solo nacional, o momento não poderia ser o mais adequado para uma entrevista aos Religious Knives. Nome fundamental do que de mais vital se vai fazendo pela Big Apple são formados por membros de projectos tão ilustres como Double Leopards ou Mouthus, a sua música flutua entre o dub, o rock psicadélico ou o krautrock para hipnose catártica anteriormente freeform agora apegada às canções (conferir em Basement Watch de The Door no myspace da banda). No entanto, foi um telegráfico Mike Bernstein já em digressão que respondeu a esta entrevista, que pouco elucidando quanto à natureza de uma música tão espiritual, se coaduna com os estados alienados a que se propõe. Porque mais do que compreensão, a sua música urge ser percepcionada, agora. E, porque para compreender a História do rock já existem o livros, mais vale pensar o presente, que poderá ser conferido no dia 4 nos Maus Hábitos no Porto e no dia seguinte no Museu do Chiado em Lisboa.
O hiato/dissolução dos Mouthus ou Double Leopards foi de algum modo razão para o início dos Religious Knives? Quando se deu esse primeiro encontro?

Os Religious Knives começaram em 2003 como um projecto paralelo para fazermos música mais íntima e pessoal do que aquela que era que era possível enquanto Double Leopards que era um quarteto. Sozinhos, em casa, no nosso loft em Brooklyn, tentámos gravar os sons que ouvíamos na nossa cabeça, ou tentámos.

Quão diferente é a metodologia dos Religious Knives comparativamente aos Double Leopards?

Double Leopards era música 100% improvisada, sem qualquer plano ou conversa, apenas uma união espiritual em busca de um pensamento de grupo. A nossa música era um produto dos tempos em que nos inseríamos a 100%. Os Religious Knives partem de um plano em busca de uma estrutura e repetição num contexto, até certo ponto, mais rock. Dois lados da mesma moeda.


No que diz respeito ao processo de composição, It`s After Dark parece caminhar mais abertamente para um formato canção. Até que ponto continua ainda a ser a improvisação neste contexto?

Dado o nosso amadorismo enquanto escritores de canções, a base destas continua a partir do improviso. Construímos secções improvisadas em cada faixa e confiamos na capacidade de flutuar para a frente e para trás entre estas.

Apesar de se tratar de uma colecção de 7”, Remains, aparenta contudo uma maior coesão interna do que It`s After Dark. Poderá ser esta exploração de estilos mais diversificada, o futuro para os Religious Knives?

O nosso futuro é desconhecido.


Enquanto Remains parece essencialmente obcecado com a hipnose dub, It`s After Dark mostra uma fixação saudável para com o rock psicadélico dos anos 60. Concordas, se mencionar os Thirteen Floor Elevators ou alguma obscura banda de garagem desta década como importante no vosso som?

Certamente, concordo em absoluto. Somos obcecados com tudo, todo o tempo. Estes sons são mais uma foto de um momento do que uma representação contínua.

Contextualizando os Religious Knives numa “história” de música psicadélica (que tanto pode abranger o La Monte Young como o Dub), parece também haver uma ligação ao Krautrock e à liberdade destes, certo?

Absolutamente.

Muitos projectos desta natureza (drone/improv/etc) parecem extremamente abertos a colaborações externas. Pretendem cingir-se ao formato trio?

Por vezes tocamos com outras pessoas, mas gostamos de explorar as nossas virtudes enquanto grupo.

Parece existir uma certa conceptualização no que respeita ao artwork dos vossos trabalhos. De que forma é premeditado e se baseia na continuidade?

A nossa identidade visual é bastante importante para nós e a habilidade para a manter consistente é crucial.

Projectos futuros para os Religious Knives?

The Door sai pela Ecstatic Peace em Outubro de 2008.

A Heavy Tapes (editora de Mike e Maya) parece estar um pouco adormecida, pode-se esperar algo futuramente?

Decidimos fazer uma pequena pausa. Alguns LP (a nossa primeira investida neste formato) vão sair no Inverno de 2008, no entanto.
Bruno Silva
celasdeathsquad@gmail.com

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