ENTREVISTAS
Domingo No Quarto
Samba no parque
· 21 Out 2010 · 19:50 ·
Os Domingo No Quarto são Mariana Ricardo e Manuel Dordio. Já conhecíamos a Mariana Ricardo há muito tempo: desde os Pinhead Society, passou pelos München, editou “Sunday is a common day” em nome próprio, colabora nos Minta & The Brook Trout, tem trabalhado em diversas bandas-sonoras, acaba de revelar o duo The Secret Museum of Mankind, canta e compõe como poucos. Já conhecíamos o Manuel Dordio desde os tempos áureos da Merzbau: esteve nos Jesus The Misunderstood, colabora com Walter Benjamin e João Coração, mexe na guitarra como poucos. Juntos, Mariana e Manel reinterpretam clássicos do samba, reinventam antiguidades com elegância e sobriedade. É assim que se aproveita um domingo no quarto.
Como é que vocês se juntaram neste projecto, aconteceu por ambos colaborarem com Minta & The Brook Trout?

Mariana: Sim, precisamente.

E como é que decidiram fazer um trabalho tão específico que é recriar sambas clássicos? Como é que vocês entraram no mundo do samba?

Mariana: Nós não entrámos no mundo do samba. Numa pausa dos ensaios de Minta começamos a tocar uns sambas por brincadeira e achámos que podíamos fazer isso mais vezes para além desses momentos. Como moramos os dois em Telheiras não foi difícil.

Porque é que escolheram uma combinação instrumental tão peculiar e simples?


Manel: Não tínhamos outra hipótese porque somos só dois e não sabemos tocar samba da forma tradicional.

Onde foram buscar o vosso nome?

Mariana: É uma corruptela de um título de uma música de Gilberto Gil que se chama "Domingo no parque".

Como escolhem as músicas, são os vossos temas favoritos ou aqueles que melhor se adequam àquilo que pretendem fazer?

Manel: Nem sempre são favoritos mas gostamos de todos, normalmente costumam ser do Rio de Janeiro e são só aqueles que "conseguimos" interpretar.

Têm planos para cantar também originais ou só pensam recriar temas clássicos?

Manel: Não fazemos grandes planos. De momento, temos só um original.

© Sara Fonseca

Já se apresentaram algumas vezes ao vivo. Como têm corrido essas experiências?

Mariana: Tem sido boa, mas sentimos que ainda há muito trabalho a fazer.

Agora que o Manuel se mudou para Berlim, tem sido possível continuar a trabalhar normalmente?

Manel: A minha saída para Berlim aconteceu ao mesmo tempo que o início de Domingo No Quarto, por isso nunca tivemos um ritmo de trabalho muito regular.

Há planos para disco ou EP para os próximos tempos?

Mariana: Gostaríamos muito de fazer uma edição, mas não será fácil uma vez que não temos os direitos das músicas nem dinheiro para os comprar. Contudo há piratas...

Em que medida é que o trabalho que fazem com o Domingo No Quarto é diferente de outros projectos onde estão envolvidos, nomeadamente com Minta & The Brook Trout?

Mariana: Não é muito diferente. É ensaiar, tocar, gravar e é divertido como os outros grupos em que tocamos. Mas somos só dois.

Poderemos dizer que os Domingo No Quarto fazem parte de uma “nova geração semi-acústica” da música portuguesa, ao lado de gente como Minta, Márcia, Walter Benjamin, B Fachada, os vossos outros projectos, etc.?

Em uníssono: Poder dizer podemos, mas não sentimos que estivéssemos numa corrente. Mas isso pode mudar eventualmente.



© Vera Marmelo

Que discos recomendariam para quem se queira iniciar no samba?

Mariana: Dança da solidão de Paulinho da Viola de 1972. Para iniciar no samba esse é o bom!

Aquele vídeo do Cartola a tocar “O mundo é um moínho” para o pai é mesmo a coisa mais triste do mundo?

Manel: O Benfica perder duas jornadas seguidas é muito triste, mas nesse vídeo há beleza.

Já descobriram qual é a melhor forma de passar um domingo no quarto?

Manel: Há muitas formas de passar um bom domingo no quarto, tem é de estar calor e haver uns bons caixilhos para não entrar chuva e frio!
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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