DISCOS
Loosers
Otha Goat Head / Endlosung
· 26 Out 2006 · 08:00 ·
Loosers
Otha Goat Head / Endlosung
2006
Ruby Red / Our Mouth
Loosers
Otha Goat Head / Endlosung
2006
Ruby Red / Our Mouth
Dois novos álbuns fixam os Loosers como a guarda avançada do novo rock insubmisso português.
É difícil escrever sobre os Loosers sem repetir o papel pioneiro que tiveram numa determinada movida de bandas apostadas na improvisação não académica e na procura de formas menos presas a estruturas. No caso do trio lisboeta, isso tanto pode ser ruído, um drone fundo ou um sorvedouro de mil músicas do mundo - o trajecto é razoavelmente imprevisível, mesmo que já exista uma estética Loosers, necessariamente flexível mas já idiossincrática.

O duplo CD-R Otha Goat Head e Endlosung, os dois registos mais recentes, representam já esse ponto de rebuçado a que chegaram. Apressemos já a conclusão: Otha Goat Head, o último ponto da discografia dos Loosers, é o melhor disco da banda, depois de Bully Bones of Belgie ter sido um passo de gigante face ao passado.

O que é que temos desta vez? Folk virada do avesso e psicadelismo sobre andamentos kraut, como nunca tinhamos ouvido nos discos dos Loosers (“Xth” e “IVth”, provavelmente o tema mais belo que já gravaram); evocações ritualísticas por via de um drone escondido ou um espanta-espíritos trémulo (“VIII”); flautas a serpentear em torno de uma percussão repetitiva (“IIIth”). São muitos momentos valiosos e ainda estamos no primeiro CD.

Na segunda rodela, o interesse reduz-se mas não muito. “Ist” é folk a atirar para o Médio Oriente e “VI” inspira o transe por via da voz arrastada. Com 16 minutos, “Suspiciously decorated” é um exemplo de contenção e paciência explorado também em Endlosung - tem ares de coisa que os Sunburned Hand of the Man fariam em momentos mais sóbrios e contidos.

Endlosung, um CD-R lançado pouco antes de Otha Goat Head pela Our Mouth (dos Mouthus), mostra os Loosers a erigir um tema gigantesco e nebuloso. Fraseados de guitarra eléctrica seca, ruminações graves indistintas, algo que parece um órgão de brincar a debitar notas, um cântico monástico formam uma massa sonora que vai crescendo, subtilmente, por justaposição de elementos. A bateria só surge, esparsa, lá para os 15 minutos, empurrando a jam para o ritmo (África entra por ali adentro). Termina com um jogo percussivo tipicamente Loosers e Tiago Miranda a descarregar a tensão contida durante mais de 30 minutos.

Cada edição dos Loosers tem tido o mérito de valer por si mesma - e Otha Goat Head tem tudo para ser visto como um disco enorme em qualquer parte do mundo -, mas também por abrir o apetite para os próximos que se seguem. Há já três discos planeados: uma cassete na Not Not Fun, um CD na Headz e Ontonson e um LP duplo na importantíssima Eclipse Records (previsto para 2007). O mundo merece os Loosers tanto quanto eles merecem o mundo.
Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com
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