DISCOS
DJ Shadow
The Outsider
· 06 Out 2006 · 08:00 ·
DJ Shadow
The Outsider
2006
Universal Music


Sítios oficiais:
- DJ Shadow
- Universal Music
DJ Shadow
The Outsider
2006
Universal Music


Sítios oficiais:
- DJ Shadow
- Universal Music
Momentos perfeitos de desorientação estética e raciocínios discúlos sintomáticos do excesso de ideias.
Que é um produtor capaz do melhor disso já não resta qualquer dúvida, agora que tenham surgido suspeitas tão vincadas sobre a má orientação por detrás de The Outsider é que já se torna surpreendente para muitos. Na estratégia errática de DJ Shadow crescerá a perplexidade de quem agora ouve o terceiro álbum de originais. Em The Outsider a forma e o conteúdo estão num permanente desencontro astrológico que lança a pura confusão sobre o dialecto aparatoso de Josh Davis. Não que a ausência de ideias seja o seu principal defeito, mas a desorganização estrutural e o empilhamento sucessivo de unidades sem aparente ponto de contacto num mesmo espaço, acaba por arruinar uma operação que poderia ter resultado com sucesso.

Ao certo o que quererá o autor dizer com o título? Em diversas entrevistas tem referido que cada vez mais sente-se á margem da indústria e que usufrui amiúde de uma independência criativa que lhe permite produzir a seu gosto numa agenda defendia exclusivamente por si, mas The Outsider quase parece um tiro no próprio pé ao esforçar-se por agradar ao seu autor e a uma grande fatia do mercado. Muitos dos seus fãs incondicionais e simples admiradores esperariam agora uma obra capaz de lançar o hip-hop alternativo norte-americano para um novo patamar onde descoberta rimasse com fascínio, um pouco à semelhança de Entroducing… Mas o passado já lá vai e Shadow decidiu desafiar-se a si mesmo e gerar outro tipo de riqueza sonora que pudesse satisfazer-lhe o ego. Será que o conseguiu? Na verdade DJ Shadow termina o seu último esforço com um ajuntamento de referências estéticas e desnorte conceptual que torna o terceiro registo de originais numa viagem transversal tumultuosa, sem fio condutor e onde nem os convidados geram mais-valia.

Um alinhamento cuidado talvez tivesse proporcionado alguma ordem e coerência estética. Existem momentos de fascínio que nos encantam – “Backstage Girl” ou “This Time” –, mas também existem pontos quase negros – “Turf Dancing” ou “Keep Em Close” – que nos levam a interrogar como será possível Shadow ter decidido incluir tais peças num mesmo álbum. O pior no alinhamento será mesmo a imagem evidente de três fases distintas de produção: os encantos soul, a curiosidade pela rock-folk-blues e novo fascínio pelo – pouco interessante – hyphy. Três momentos vincados e apinhados de peças sobrepostas que ignoram o centro gravitacional e que se preparam para cair em desgraça umas sobre as outras.

É pena que nesta caminhada de setenta minutos surjam tantas dúvidas sobre um estratega que nos anos 90 provou ser um dos mais importantes elementos na construção de uma sonoridade abstracta aprazível e sedutora e capaz de proporcionar os mais belos sonhos num mundo hip-hop perfeito. Hoje vislumbramos alguns pesadelos que atiram a impressão que tínhamos de Josh Davis para um universo paralelo onde o brain strorm excessivo é capaz dos mais impressionantes atropelos á clarividência de uma linguagem que se esperaria mais linear. Enquanto ouvintes, The Outsider deixa-nos numa margem oposta à do autor. E não deverá ter sido essa a premissa inicial.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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