DISCOS
Dead Combo
Vol. 2: Quando A Alma Não É Pequena
· 19 Abr 2006 · 08:00 ·
Dead Combo
Vol. 2: Quando A Alma Não É Pequena
2006
Dead & Company


Sítios oficiais:
- Dead Combo
Dead Combo
Vol. 2: Quando A Alma Não É Pequena
2006
Dead & Company


Sítios oficiais:
- Dead Combo
Em 2003, após convite de Henrique Amaro, Tó Trips (Lulu Blind) na guitarra e Pedro Gonçalves no contrabaixo, juntaram-se para a para a gravação do tema “Paredes Ambience”, incluído no disco de homenagem a Carlos Paredes, Movimentos Perpétuos – Música para Carlos Paredes. Desde então intitulam-se Dead Combo e propõem-se a pintar Lisboa através da música. Em Vol. 1 materializaram as promessas e conseguiram, em 2004, um dos discos mais portugueses de todos os discos portugueses desse ano, apesar de misturarem o nosso fado com o menos nosso western. Em Vol. 1 ficaram lançados os dados, mas depois da anunciada saída da Transformadores – a editora que lançou Vol. 1, o futuro dos Dead Combo pareceu, por momentos, incerto. Mas com a notícia da criação de Dead & Company, a editora própria dos Dead Combo, o horizonte começou a (re)desenhar-se da melhor forma possível.

O seguidor do álbum de estreia, Vol. 2: Quando A Alma Não É Pequena, gravado na Galeria Zé dos Bois em Lisboa, é mais um enorme disco. Conta com um elenco de convidados onde se incluem Paulo Furtado (Wray Gun, Legendary Tigerman), João Cardoso (Humanos, Sérgio Godinho), Nuno Rafael (Humanos, Sérgio Godinho), Sérgio Nascimento (Humanos, David Fonseca, Sérgio Godinho), Peixe (Ornatos Violeta, Pluto, DEP) que dão o seu contributo a um duo que funciona às mil maravilhas. É um disco mais aberto que o anterior, mais viajante, mais Dead Combo. Mantém a mesma melancolia proveniente do fado que já se sentia no primeiro disco, mas sabe sair dela para percorrer o flamengo, o tango, o inevitável western, Cuba. O contrabaixo de Pedro Gonçalves e a guitarra de Tó Trips em “After peace, swim twice”, que também se faz ouvir através de um órgão e de um trompete, desenham ‘apenas’ uma parte dos minutos da magia que se concentra neste disco. “A menina dança #1” é arrastada, misteriosa e poderia ter os Calexico como convidados especiais. Começa uma guitarra, segue-se a melódica e até se ouvem palmas; é um dia festivo, e sai mais uma “Rodada” para todos.

“Ana (Strawb)” parece Portugal visto pelas mãos e olhos dos Boxhead Ensemble, ou Paris (no Texas) visto pelos Dead Combo. Segue-se-lhe “O ”menino, o vendo e o mar”, indescritivelmente bela e pesarosa, mas apesar da taciturnidade que ainda se sente aqui, os Dead Combo parecem então mais soltos do que em Vol. 1: prova disso é “Canja Voodoo” (que conta com Paulo Furtado na guitarra eléctrica), indecisão geográfica acompanhada de palmas que afastam o pó que vem do deserto ao lado. “Ai que vida!” são os Dead Combo a dizer “nós somos portugueses”, num queixume tão português quanto o fado. Em “O assobio (canção do avô)” o arsenal está todo lá: o contrabaixo, a guitarra eléctrica, o cavaquinho, a guitarra acústica, percussão, voz e até flauta. Pelo contrário, “Despedida (até sempre)” é Tó Trips sozinho na guitarra acústica; impressiona a forma como mantém o tema em crescendo emotivo, ora fazendo lembrar uma noite de sonhos algures num motel do México, ora fazendo lembrar um John Fahey possuído nesse mesmo motel.

Os Dead Combo, da colheita recente da música portuguesa, são um dos que mais e melhor andam por aí a tentar explicar o que é afinal ser português e a o que é então a portugalidade que se sentia nas mãos de, por exemplo, Carlos Paredes – nem que para isso tenham que ir procurar respostas a outros locais distantes. Os Dead Combo parecem não saber o significado de falta de criatividade e aqui mostram que não foram apenas produto do acaso – mais do que serem um depósito esperanças (e agora com a distribuição da Universal, ninguém sabe onde os Dead Combo podem chegar), são já detentores de todas as certezas. Vol. 2: Quando A Alma Não É Pequena é já um disco essencial de 2006. Em duas tentativas, dois sucessos. Combo sim, Dead – esperemos – nunca.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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