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Editors
Violence
· 04 Abr 2018 · 20:38 ·
Editors
Violence
2018
[PIAS]


Sítios oficiais:
- Editors
- [PIAS]
Editors
Violence
2018
[PIAS]


Sítios oficiais:
- Editors
- [PIAS]
A violência (não) tem um crescendo.
A primeira vez que fui ao festival de Paredes de Coura, fi-lo sozinho. Por puro amor à música, e pelo facto de, à altura, não ter muitos amigos com os mesmos gostos que os meus. Fui pelos Sex Pistols, pelos Mars Volta, pelos Wraygunn, pelos Primal Scream, pelos Lemonheads, pelos Thievery Corporation (evidentemente!) e, claro, pelos Editors, banda que desde cedo se assemelhou e muito a uma cópia barata dos Interpol, na mesma medida em que os Coldplay são uma cópia rasca dos Muse (e há álbuns de cada uma destas quatro bandas dos quais gosto muito).

Só no último dia do festival, plantado nas grades e tendo já em mãos um cartaz aludindo ao concerto dos Thievery Corporation, é que tive coragem para deixar de lado toda a capa anti-social com a qual me visto todos os dias e meter conversa com um grupo de malta que lá estava. Bem, tecnicamente, eles é que meteram conversa comigo. Quando lhes disse que fui até Paredes de Coura desde Alverca para ver (também) os Editors, gozaram com a minha cara, argumentaram que a banda era uma merda.

Pese embora o facto de que duas das miúdas desse grupo estavam lá para ver os Biffy Clyro, e quase andaram à pancada porque uma ficou com a setlist e outra não, eles tinham razão: os Editors são uma merda. Quer dizer, agora são-no mais. Longe vão os tempos em que os britânicos eram capazes de fazer canções com o mínimo de inteligência, sentido e ginga como "Munich", "Smokers Outside The Hospital Doors" ou "An End Has A Start" que, não sendo perfeitamente originais (como muito do indie rock pós-2000) eram pelo menos capazes de fazer com que putos de 16, 18, 20 anos acreditassem no rock n' roll, como todas as gerações anteriores.

O descalabro começou em 2009, com In This Light And On This Evening, o álbum em que os Editors começaram a olhar não para os anos 80 do pós-punk, mas para os anos 80 da synthpop e de todo o lixo que - tirando algumas honrosas excepções - foi produzido por essa altura. Começaram a incluir electrónica pop absurda e inconsequente no processo de criação, deixaram de lado as guitarras e compraram sintetizadores, esqueceram-se de que a electricidade é um bem precioso e deve ser aproveitado. Quiseram ser diferentes, e o enorme cão preto de nome mediocridade mordeu-lhes o traseiro e arruinou a sua carreira para sempre.

Isto para dizer que qualquer tentativa de encontrar o mínimo de qualidade nos Editors de 2018 esbarrará na verdade: não só o tempo do indie rock já lá vai, como também o do revival 80's, pelo que Violence não é mais que um título contraditório e amorfo para um álbum que não o é menos; não há aqui nada de muito violento, apenas uma dúzia de canções patéticas que nunca deveriam ter entrado num estúdio e uma banda que teima em conspurcar todo o seu passado - que, convenhamos, já não era muito. A sério, há alguém no mundo ainda com paciência para esta merda?
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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