DISCOS
Franz Ferdinand
Always Ascending
· 19 Fev 2018 · 17:41 ·
Franz Ferdinand
Always Ascending
2018
Domino


Sítios oficiais:
- Franz Ferdinand
- Domino
Franz Ferdinand
Always Ascending
2018
Domino


Sítios oficiais:
- Franz Ferdinand
- Domino
Já não somos jovens.
Oh, todos nós passámos por essa fase. Éramos jovens: estávamos a descobrir o nosso corpo e a nossa mente, e no meio de todas as demais propostas (que eram, grosso modo, os últimos peidos do nu metal, ou a típica canção R&B para discotecas que só servia para vermos as gajas da turma a abanar a anca em Educação Física), os Franz Ferdinand até nos pareciam algo aceitável. Era rock, e era fresco, e dava para uma pessoa pular e suar, e parecia ter todas as referências indie certas o que, quando se é jovem e um cabrão pretensioso, tem um peso extremamente importante.

Franz Ferdinand, o álbum, era uma espécie de pedrada no charco do metal negro que nos aquecia as borbulhas, e uma progressão para além das várias compilações de electrónica choninhas que se descobriram depois. Era o álbum de "The Dark Of The Matinée", uma canção cheia de referências que até então eram absolutamente desconhecidas, mas que era gostosa de ouvir na SIC Radical enquanto os nossos amigos jogavam Playstation e falavam das mães e das irmãs uns dos outros. E era o álbum de "Auf Achse", cujos versos acabaram a feltro em paredes e bancos de subúrbio. E era, sobretudo, o álbum de "This Fire" porque, foda-se, que jovem não gosta de ver o mundo a arder?

De lá para cá muita coisa mudou, e os Franz Ferdinand foram continuando e lançando um ou outro disco desinteressante. Não o poderiam ser mais do que isso; a fórmula dos escoceses ficou gasta à partida, contida naquelas onze canções que compõem o seu registo de estreia. Talvez se safe um par de canções do segundo álbum, You Could Have It So Much Better, mas pouco mais que isso. Quando os vimos pela primeira vez, já muitos anos depois, nem sequer deu para acender a chama à nostalgia; o tempo dos Franz Ferdinand havia passado sem que nos déssemos conta, tal qual a nossa juventude. É triste quando o mundo nos atropela e só reparamos nos hematomas na manhã seguinte.

Para surpresa geral de quase toda a gente, os Franz Ferdinand voltam à carga em 2018, já após terem mudado algumas coisinhas no seu line-up e colaborado com os Sparks, numa daquelas coisas que ninguém com o mínimo de dedos de testa pediu. Always Ascending, o seu novo álbum, tem um título enganador: nunca os Franz Ferdinand subiram mais alto do que naquelas tardes de 2004, enquanto todo um país chorava à pala do filho da mãe do Charisteas. Assim como a canção que lhe dá nome também é enganadora, iniciando com uma baladazita merdosa ao piano e passando depois para um ritmo mais gingão e interessante q.b., como se a sonoridade dos Franz Ferdinand do início tivesse sido colocada numa cápsula do tempo e reaberta este ano, beneficiando de uma produção mais clubbing e/ou moderna. É a típica canção indie rock que nas mãos dos produtores certos irá ser alvo de uma daquelas remisturas.

É também o único ponto de algum vago mérito num álbum medíocre e aborrecidíssimo, repleto de lugares-comuns pós-punk e cujo único propósito, crê-se, será o de obrigar os Franz Ferdinand a andar em digressão para que centenas de idiotas paguem um balúrdio só para ouvir a "Take Me Out", enquanto passam o resto do concerto a beber copos e a lamentar a juventude perdida no tempo. Seria melhor deixar esta banda - e este disco - no buraco negro da memória. Mas, bem, há loucos para tudo: se ainda há quem chore baba e ranho por não haver "dias de metal/rock" nos grandes festivais, porque é que os Franz Ferdinand não poderão continuar a ser uma banhada?
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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