DISCOS
Ricardo Remédio
Natureza Morta
· 10 Out 2017 · 14:19 ·
Ricardo Remédio
Natureza Morta
2016
Regulator Records


Sítios oficiais:
- Ricardo Remédio
- Regulator Records
Ricardo Remédio
Natureza Morta
2016
Regulator Records


Sítios oficiais:
- Ricardo Remédio
- Regulator Records
Visões do futuro.
Basta um, dois segundos apenas. Logo ao início. É "Banquete", a faixa que abre o disco de estreia de Ricardo Remédio, músico que temos vindo a acompanhar desde o seu percurso com Löbo até ao primeiro moniker que utilizou em composições de cariz mais electrónico, RA. É o primeiro som, o som primogénito, aquele que nasceu antes dos demais sons que formam o corpus musical de Natureza Morta. É o som de uma respiração ansiosa e sintetizada, como que querendo dizer que o título do disco é enganador: o quadro pensa, está vivo. Procura sobreviver aos olhos de quem vê. E rebenta.

Longe da turbulência ambient que trespassava Rancor, o EP lançado como RA, Natureza Morta explora, ao longo de cinquenta minutos, as possibilidades da máquina. Range em passo industrial, cinemático e cinematográfico, como um filme cyberpunk absurdamente real. Porque não o seria? O filme é o espelho da mente humana. E, quando damos por ela, tensos por via desta assustadora marcha melódica, a caveira que adorna o disco (autoria de Marta Macedo) sorri arrogantemente na nossa direcção. (Imóvel, escutando um disco, também és natureza morta). Mas há ambient, claro, menos turbulento e mais sonhador - como no pós-rock de "Caça".

Este é um disco que está connosco há mais de dois anos e só agora encontramos como o descrever; o ruído fundiu-se, por fim, com a pele; as moscas esvoaçaram, famintas, conscientes de que será difícil penetrar o metal com a sua probóscide violenta. Natureza Morta é um sinal claro de evolução: tanto a do próprio artista como a humana no geral. Se era possível a um disco soar futurista numa época em que o passado parece sempre regressar para nos atormentar? Talvez, mas dificílimo. Natureza Morta conseguiu-o. Só merece que acordemos.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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