DISCOS
Crash City Saints
Are You Free?
· 27 Set 2017 · 14:44 ·
Crash City Saints
Are You Free?
2017
Saint Marie Records


Sítios oficiais:
- Crash City Saints
- Saint Marie Records
Crash City Saints
Are You Free?
2017
Saint Marie Records


Sítios oficiais:
- Crash City Saints
- Saint Marie Records
R: Mais ou menos.
Os Crash City Saints chegam-nos do Michigan e lançam um álbum em forma de pergunta: e vocês, são livres? Livres do medo e da fome e da forma? Livres dos garrotes e da escravatura? Livres de ler, de ouvir, de pensar? Livres de colocar qualquer filosofia na resposta à sua pergunta, independentemente da sua proveniência ou da sua certeza? Livres de responder à pergunta com uma outra, porque não haveríamos de ser? Livres de fazer um disco de doze canções com um pé em cima do shoegaze e outro completamente lá atolado?...

Poderíamos dignar-nos a perder mais do nosso tempo precioso (e porque é que o tempo é precioso?) a tentar encontrar uma solução para o dilema dos Crash City Saints caso Are You Free? não esbarrasse numa parede de ortodoxia psicadélica (guitarras acústicas, ecos, o fuzz a meio de "Ice Cream Headache" a acenar directamente a Kevin Shields), a qual fincou unhas e dentes no rock n' roll da última década e o qual não largará tão facilmente. Mas percebe-se o porquê: o psicadelismo é no fundo uma forma de encontrar Deus e não temos tido grandes vislumbres d'Ele com toda a merda que se passa no mundo.

Mais Swervedriver que outra coisa - banda essa que, no fundo, seria a blueprint do shoegaze caso este tivesse crescido na América -, Are You Free? é um daqueles álbuns sobre os quais não se conseguem dizer muitas coisas más, mas que também não nos desperta a vontade de dele dizer coisas boas. Uma audição ou outra e entende-se imediatamente o seu propósito: colocar em acrílico ou vinil ou nas Internétes aquilo que ouviram enquanto putos, já que a imitação é a forma mais sincera de adulação. Os momentos mais interessantes do álbum estão consignados às não-canções: o noise celebratório de "Weirdos Need Love Too", o psych-hop de "It's Not A Party Until Someone Breaks Your Heart" e a dança ríffica dos últimos minutos de "Spirit Photography". De resto, a resposta à pergunta dos Crash City Saints é um ténue "mais ou menos"; ainda não somos livres o suficiente, mas somos livres q.b. para poder dizer que o disco deles é uma seca.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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