DISCOS
Uniform
Wake In Fright
· 15 Mar 2017 · 08:56 ·
Uniform
Wake In Fright
2017
Sacred Bones Records


Sítios oficiais:
- Uniform
- Sacred Bones Records
Uniform
Wake In Fright
2017
Sacred Bones Records


Sítios oficiais:
- Uniform
- Sacred Bones Records
Traquinice.
Há muito que a Sacred Bones nos ajuda a prestar atenção ao lodo e à violência, aos eternos românticos do underground ou aos seus freaks. Nenhuma outra editora tem marcado de forma tão vincada a última década de lançamentos, tendo dali saído, ou por ela sido descobertos, muitos dos nomes que hoje são indispensáveis para se compreender o que designados por "música independente": Amen Dunes, Pharmakon, Jenny Hval, Blanck Mass, Marissa Nadler, Woods...

Uma lista que também passa a contar com os Uniform, duo que se estreou este ano na Sacred Bones com a edição de Wake In Fright, o seu segundo álbum, após uma experiência na Alter (Hieroglyphic Being, Damien Dubrovnik, Croatian Amor...). À primeira audição, a estética da Sacred Bones parece casar-se de forma perfeita com a música dos nova-iorquinos: preto chocando no branco, a terra revoltando-se contra o que se ergue sobre si, uma batida industrial a martelar amiúde o ruído de uma guitarra. Noise rock gordo, onde agredir é mais importante que informar.

Ainda assim, há algo que parece falhar em Wake In Fright. Não obstante a brutalidade presente em temas como "Tabloid", "The Light At The End (Cause)" e "The Killing Of America", os Uniform soam demasiado presos a essa ideia de raiva - e sem que a consigam concretizar por completo, isto é, canalizando o sentimento para criar uma verdadeira declaração de guerra. Em certos momentos até parecem resvalar para o cliché, como em "The Lost", não obstante ser esta uma faixa EBM minimamente interessante.

Se o objectivo era propor uma nova forma de luta para estes tempos em que vivemos - uma luta que não se restringisse apenas às palavras mas também às pedras -, Wake In Fright até dá direito a uma meia hora satisfatória, mas em última análise inconsequente; um pouco como ir a uma manifestação anti-globalização/capitalismo/riscar o que não interessa e partir ou grafitar a vitrine de um banco, em vez de matar o banqueiro. No final, haverá dinheiro para um vidro novo e tudo será avaliado como mera traquinice. É pena.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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