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Japandroids
Near To The Wild Heart Of Life
· 13 Mar 2017 · 21:26 ·
Japandroids
Near To The Wild Heart Of Life
2017
Anti-


Sítios oficiais:
- Japandroids
- Anti-
Japandroids
Near To The Wild Heart Of Life
2017
Anti-


Sítios oficiais:
- Japandroids
- Anti-
Chegar à idade adulta.
Com que idade é que se deixa de procurar o incêndio para passar a procurar a faísca? Ainda na adolescência? Aquando da chegada à idade adulta? Depois do curso tirado e/ou da entrada no mercado de trabalho? Assim que se chegam aos 30 e os autoproclamados "melhores anos das nossas vidas" começam a ficar para trás, bem lá para trás, não restando mais que o on this day no Facebook e a nostalgia do que foi ou do que poderia ter sido?

Algures em Near To The Wild Heart Of Life, os Japandroids parecem ter feito essa pergunta a si mesmos. Logo eles, que sempre foram um incêndio rock, e que só prosseguiram com a sua carreira precisamente por causa da capacidade pirómana da juventude (estiveram para acabar em 2009, quando ainda ninguém gostava. Sorte nossa que o não fizeram). Logo eles, capazes de juntar o bom e o melhor numa só cantiga carregada de electricidade, o Boss Springsteen e a energia Mould a dar origem a uma daquelas bandas que chuta para canto essa teoria de que o género está morto. Logo eles, que na sua inocência primária só queriam ir a França beijar umas miúdas...

Ao terceiro disco, os Japandroids finalmente cresceram, mas não muito. Near To The Wild Heart Of Life, o disco mais polido que já fizeram - abandonando uma certa atitude lo-fi pela sapiência da boa produção - continua na mesma linha de pensamento: hinos em vez de coros, ritmo em vez de paragem, guitarras reluzentes em vez de melodias finas e delicadas. É Japandroids, mas não aqueles a que estávamos habituados; é a idade a pesar-lhes nas costas, o punho semi-erguido por oposição ao braço estendido rumo às nuvens.

O que não quer dizer que os Japandroids não continuem uma banda a ter em absoluta conta nestas coisas do rock n' roll. Sim, envelheceram, e se calhar não para (muito) melhor. Mas ainda há canções. Canções épicas e estridentes, cheias de amor pela vida quando, se calhar, a vida não nos merece esse amor. "North East South West", que se tudo correr como planeado será entoada a plenos pulmões lado a lado com outros momentos de glória, como "Wet Hair" ou "The House That Heaven Built", assume a dianteira: uma canção que nos faz crer na humanidade quando tudo parece perdido. Ou, como quem diz, uma canção para sermos eternamente jovens.

O elixir da eterna juventude já não mora, portanto, aqui; mas mora a nostalgia - e quem melhor do que nós, povo tuga, para a entendermos? Near To The Wild Heart Of Life celebra o rock mais do que o próprio Celebration Rock o fazia - celebra aqueles milissegundos em que uma faísca da lugar a um temível incêndio, celebra não o acto mas a vontade. Estando nós velhos, isso chega. Mesmo "I'm Sorry (For Not Finding You Sooner)" parece meio palerma ao início, mas depois lembramo-nos do quanto adorávamos (ou adoramos) aquelas experiências de quarto, microfone ligado e um qualquer instrumento à procura da nossa própria música. Mesmo "Arc Of Bar", a canção mais longa que alguma vez fizeram, soa tão punk quanto uma pequena granada de 30 segundos. Mesmo "In A Body Like A Grave" - And age is a traitor and, bit by bit / Less lust for life, more talking shit... - parece a mais magnífica elegia do mundo se conseguirmos, ao menos, esquecermo-nos daquilo que nos diz o corpo e o cartão de cidadão. Os Japandroids estão de volta; até pode nem dar em nada, mas mantenham prevenidos os bombeiros.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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