DISCOS
Noveller
A Pink Sunset For No One
· 06 Mar 2017 · 12:47 ·
Noveller
A Pink Sunset For No One
2017
Fire Records


Sítios oficiais:
- Noveller
- Fire Records
Noveller
A Pink Sunset For No One
2017
Fire Records


Sítios oficiais:
- Noveller
- Fire Records
I'm in love with an alien.
Chegou-se tarde a Noveller, mais concretamente em 2015, com a edição de Fantastic Planet, já a norte-americana tinha entrado há muito em cena. Chegou-se tarde, e salienta-se o mea culpa porque alguém que fez parte da armada de Rhys Chatham e do gigante ensemble de Glenn Branca merecia ter sido descoberta - pelos nossos ouvidos - mais cedo. Isto parece pouco, mas é uma falha grave num amante das guitarras eléctricas; alguém com o potencial de Noveller não pode, de todo, ficar arredada dos nossos muito pessoais momentos de prazer.

Na sua música, o prazer até nem advém do facto de ser guitarrista, mas do de não soar sequer, à primeira instância, a algo feito com uma guitarra. Tanto em Fantastic Planet como no novo A Pink Sunset For No One, o fascínio advém da ideia de estarmos perante algo que não é oriundo deste mundo, sinal estranho captado pelo SETI, potenciador de teorias muitas e conspirações outras tantas: haverá, certamente, vida para além do observável. Algo que é extraterrestre e, ao mesmo tempo, humano - como se o nosso DNA se tivesse espalhado pelo universo e brotado em milhares de mundos, em milhares de sóis.

Porque é de sol que se fala quando escutamos A Pink Sunset For No One, o sol presente no título e que se baixa durante o som, dando lugar a uma vasta imensidão de espaço. Música cósmica, ou kösmische, pegando nas melhores tradições alemãs e conferindo-lhes o estatuto apátrida, alienígena, que lhes faltava. Um vulto melódico esgueira-se por detrás do ruído, em "Deep Shelter", antes que outro objecto estranho - no caso, um piano - ajude os seus dedos a viajar com recurso a outro tipo de cordas. E antes que uma autobahn espacial se abra em "Rituals", ou um estranho fado - porque podia perfeitamente sê-lo - nos apareça à frente em "Another Dark Hour".

No mesmo mês em que a NASA descobre sete planetas habitáveis em torno de uma estrela não muito distante, Noveller volta a editar um álbum magicamente exploratório, apoiada na estranheza - e na beleza - do desconhecido, do lugar para onde se vai, esquecendo aquele do qual se parte; assim como ela esqueceu a guitarra que utiliza, transformando-a, e ao seu som, num eco oriundo do espaço infinito. Assim como o seu potencial o continua a ser, bastando para tal manter o bom trabalho (e as descobertas) que tem realizado até aqui. O pôr-do-sol quando soa é para todos.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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